Keith Richards durante apresentação dos Rolling Stones, comentando sua preocupação com inteligência artificial e tecnologia na música.

Keith Richards critica inteligência artificial e diz temer “o futuro de tudo”

25 de junho de 2026

Guitarrista dos Rolling Stones voltou a questionar o impacto da tecnologia na música e afirmou que a inteligência artificial gera preocupação sobre o rumo da sociedade.

Crédito: Reprodução YouTube/@TODAY

Keith Richards voltou a expressar sua desconfiança em relação aos avanços tecnológicos. Em entrevista recente ao jornal The Guardian, o guitarrista dos Rolling Stones voltou a criticar a inteligência artificial e afirmou que vê com preocupação o crescente papel da tecnologia no cotidiano, incluindo seus efeitos sobre a música.

Aos 82 anos, o músico defendeu uma visão mais tradicional da criação artística e argumentou que a evolução tecnológica nem sempre trouxe benefícios concretos para a qualidade da produção musical. Durante a conversa, Richards também criticou smartphones e refletiu sobre as mudanças que testemunhou ao longo de sua carreira.

Keith Richards critica a inteligência artificial

Questionado sobre a rápida expansão da inteligência artificial, Richards respondeu sem rodeios. O guitarrista afirmou que acompanha o tema com inquietação e que suas preocupações vão além da indústria musical.

Segundo o músico, a tecnologia ocupa um espaço cada vez maior na vida das pessoas, muitas vezes sem que se conheçam plenamente suas consequências futuras. Ao comentar o assunto, ele declarou que a inteligência artificial o preocupa profundamente e acrescentou que teme “o futuro de tudo”, não apenas o da música.

Richards também destacou que mantém uma relação distante com as novas tecnologias. Em tom bem-humorado, afirmou que a chaleira elétrica é praticamente o único equipamento moderno que utiliza regularmente, reforçando sua preferência por hábitos mais simples.

Do analógico ao digital: a visão do guitarrista sobre a música

Outro ponto abordado na entrevista foi a transformação tecnológica dos estúdios de gravação. Richards lembrou que acompanhou diferentes fases da indústria fonográfica, desde as gravações em poucas pistas até os sofisticados sistemas digitais atuais.

Na avaliação do guitarrista, o aumento das possibilidades técnicas não significou necessariamente uma evolução artística. Para ele, a qualidade de uma música continua dependendo principalmente da criatividade dos músicos, e não da quantidade de recursos disponíveis durante a produção.

A declaração reforça uma posição que Richards vem defendendo há anos. Embora reconheça que a tecnologia tenha facilitado diversos processos, ele acredita que ferramentas mais avançadas não garantem composições melhores nem substituem o elemento humano da criação musical.

Os smartphones também foram alvo de críticas. O integrante dos Rolling Stones afirmou que o mundo seria melhor sem eles e lamentou a dependência que os aparelhos passaram a exercer sobre a vida cotidiana.

Tecnologia ajudou a preservar um dos maiores clássicos dos Stones

Apesar das críticas, Richards reconheceu que alguns recursos tecnológicos tiveram papel importante em momentos decisivos de sua trajetória artística.

Durante a entrevista, ele relembrou a origem de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, um dos maiores sucessos da história dos Rolling Stones. Segundo o guitarrista, o riff principal surgiu enquanto dormia. Ao acordar brevemente durante a madrugada, ele gravou a ideia em uma fita cassete e voltou a dormir.

Quando ouviu a gravação no dia seguinte, percebeu que havia registrado a base de uma música que se transformaria em um dos maiores clássicos do rock.

As declarações acontecem enquanto os Rolling Stones se preparam para lançar Foreign Tongues, seu 25º álbum de estúdio. O disco chega ao mercado em 10 de julho e marca a continuidade da parceria com o produtor Andrew Watt, responsável também por Hackney Diamonds, lançado em 2023.

Mesmo em meio a um cenário musical cada vez mais influenciado por ferramentas digitais, Richards segue defendendo uma abordagem centrada nos músicos e na criação humana, mantendo o ceticismo que há décadas caracteriza sua visão sobre a tecnologia.

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