Roger Waters critica shows de Bob Dylan: “Não consigo reconhecer as músicas”
8 de julho de 2026
Ex-integrante do Pink Floyd diz admirar as composições de Bob Dylan, mas afirma que as mudanças nos arranjos ao vivo o afastaram de seus shows.

Roger Waters critica Bob Dylan ao voltar a comentar um aspecto da carreira do cantor que nunca o convenceu. Embora reconheça o compositor americano como um dos maiores nomes da música popular, o ex-integrante do Pink Floyd afirmou que deixou de assistir às apresentações do artista por causa das constantes mudanças nos arranjos de seus clássicos ao vivo.
A declaração, resgatada pela Far Out Magazine, revela uma diferença de visão entre os dois músicos sobre a forma de apresentar canções consagradas ao vivo. Para Waters, preservar a identidade das músicas é essencial, enquanto Dylan há décadas aposta em reinvenções radicais de seus repertórios.
Roger Waters critica Bob Dylan e explica por que deixou de assistir aos shows
Durante a entrevista, Roger Waters contou que costuma se frustrar ao tentar identificar as músicas interpretadas por Bob Dylan. Segundo ele, as alterações de ritmo, melodia e interpretação fazem com que os clássicos se tornem difíceis de reconhecer.
“É por isso que eu não vou mais ver Bob Dylan, porque não gosto de ficar sentado tentando descobrir que droga de música ele está tocando”, afirmou.
O músico britânico acrescentou que sua abordagem sempre foi diferente quando levava canções antigas ao palco. Em vez de reconstruí-las completamente, preferia partir da versão gravada em estúdio e fazer mudanças apenas quando elas servissem à música.
Waters ainda comentou que, em algumas ocasiões, demorava vários minutos para perceber qual faixa Dylan estava executando. Ele citou Blowin’ in the Wind como exemplo de uma música cuja releitura ao vivo acabou lhe causando estranhamento, justamente por gostar muito da gravação original.
Estilo de Bob Dylan divide opiniões há décadas
A forma como Bob Dylan transforma seu repertório ao vivo é uma característica conhecida de sua carreira. Em diferentes turnês, o cantor alterou estruturas, tonalidades, instrumentação e até a maneira de cantar sucessos como Like a Rolling Stone, Tangled Up in Blue e Blowin’ in the Wind.
Para parte do público, essa liberdade artística mantém os shows imprevisíveis. Outros fãs, porém, compartilham da dificuldade mencionada por Waters e preferem interpretações mais próximas das versões registradas em estúdio.
Essa postura acompanha Dylan há muitos anos e faz parte de sua identidade como artista, que raramente reproduz uma música exatamente da mesma forma em apresentações diferentes.
A crítica gera comparação com o próprio Roger Waters
As declarações também chamaram atenção por um aparente contraste na própria carreira de Roger Waters. Em 2023, o músico lançou The Dark Side of the Moon Redux, releitura completa do clássico álbum do Pink Floyd, com novos arranjos, outra atmosfera sonora e interpretações vocais bastante diferentes da gravação de 1973.
A comparação levou alguns fãs a apontarem uma contradição entre a crítica feita a Dylan e a liberdade criativa adotada por Waters em estúdio. Ainda assim, o britânico faz uma distinção entre reinterpretar uma obra em um projeto específico e modificar radicalmente canções durante apresentações ao vivo.
Para ele, quando um artista sobe ao palco para tocar músicas conhecidas, elas devem permanecer facilmente reconhecíveis pelo público, mesmo que recebam pequenos ajustes de execução.
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