Shawn James: “Minha música é uma terapia para mim e também para quem a escuta”
5 de agosto de 2026
Em entrevista exclusiva à Mundo Livre FM, conduzida por Diana Vieira, Shawn James revela que o novo álbum Passage nasceu de um período de esgotamento emocional, explica como transformou experiências pessoais em canções e diz que refletir sobre a morte o ajudou a enxergar a vida com mais intensidade.
Crédito da foto: Reprodução/YouTube
Às vésperas de voltar ao Brasil para apresentar o novo álbum Passage, Shawn James conversou com a Mundo Livre FM sobre o processo de criação do trabalho mais íntimo de sua carreira. Conhecido por misturar folk, blues, americana e rock, o cantor explicou que decidiu abandonar o formato de álbum conceitual para construir um disco em que cada música pudesse existir por conta própria, explorando emoções, conflitos e histórias independentes.
Durante a entrevista, o artista falou abertamente sobre saúde mental, revelou que a composição funciona como uma espécie de terapia pessoal, explicou como as referências mitológicas dialogam com sua vida e refletiu sobre um tema recorrente em sua obra: a mortalidade. Segundo Shawn, aceitar que todos caminhamos para o fim torna a vida ainda mais valiosa.
“Minha música é uma terapia para mim e para quem me escuta”
Depois de construir Honor & Vengeance como uma narrativa contínua, Shawn James decidiu seguir um caminho diferente em Passage. Em vez de um único conceito ligando todas as faixas, ele quis que cada música apresentasse uma história própria.
Segundo o músico, essa escolha permitiu abordar experiências extremamente pessoais, especialmente em canções como Sometimes, It’s Alright e Tired of Trying, escritas durante um período de desgaste emocional.
“Algumas dessas músicas tratam de questões muito pessoais. ‘Sometimes It’s Alright’ e ‘Tired of Trying’, por exemplo, falam bastante sobre estar completamente esgotado. Elas documentam o processo de eu lidar com tudo isso.”
Shawn explica que nunca teve receio de transformar momentos difíceis em arte. Pelo contrário: escrever sobre eles se tornou parte do processo de cura.
“Gosto de dizer que muita da minha música funciona como uma terapia. Para mim e também para quem me escuta. Quando converso com as pessoas depois dos shows, muitas delas dizem que essas músicas as ajudaram a enfrentar momentos difíceis. Eu não tenho medo de compartilhar as minhas lutas, porque isso me ajuda a liberá-las e a lidar com elas de uma maneira saudável.”
“Ícaro fala sobre querer sempre mais”
Outro tema central de Passage aparece na faixa Icarus, inspirada na mitologia grega. Para Shawn James, a história representa um dilema constante vivido por artistas: encontrar equilíbrio entre ambição e satisfação.
O cantor relaciona a música diretamente às pressões da carreira, como crescer nas plataformas digitais, conquistar novos públicos e vender mais ingressos.
“Existe uma batalha sem fim para conseguir mais seguidores, mais streams e vender mais ingressos. Como artista, você deveria focar apenas na música. Mas, como isso também é um negócio, às vezes é impossível não pensar nesses números.”
Segundo ele, o verdadeiro desafio é impedir que a lógica do mercado passe a controlar o processo criativo.
“Estou aprendendo a encontrar esse equilíbrio e a deixar de focar tanto no lado comercial para voltar à arte na sua forma mais verdadeira. Acho que essa é uma das grandes razões para o som e para os temas presentes em ‘Passage’.”
“A morte chega para todos nós”
A mortalidade continua ocupando um espaço importante nas composições de Shawn James. Durante a entrevista, o músico explicou que Headed for the End amplia uma reflexão iniciada em More Than You More, composição anterior que já tratava da inevitabilidade da morte.
Para ele, aceitar essa condição torna a existência mais significativa.
“A morte está vindo para todos nós. Então pensei: e se fizéssemos as pazes com ela um pouco mais cedo? Se aceitássemos isso e aprendêssemos a conviver com essa ideia, talvez conseguíssemos aproveitar muito mais o tempo que temos.”
Na visão do cantor, Headed for the End representa uma evolução desse pensamento. Em vez de enxergar a morte com medo, a música propõe viver plenamente justamente porque o fim é inevitável.
“‘Headed for the End’ continua essa conversa, mas com uma atitude diferente. É como dizer: ‘não me importo, vou viver minha vida da melhor maneira possível’. Se eu morrer amanhã, quero poder olhar para trás e dizer que vivi intensamente e fiz o melhor que pude.”
Folk, heavy metal e uma estreia na América do Sul
Além das reflexões filosóficas, Shawn James também adiantou o que o público brasileiro pode esperar da nova turnê.
Entre as músicas que mais o empolgam está Burn, descrita como uma faixa intensa, emocional e cinematográfica.
“‘Burn’ é uma música pesada, quase uma catarse, mas que cresce até um final muito bonito, cheio de camadas e bastante cinematográfico.”
Outra aposta é Let Me Go, faixa que encerra Passage e que fará sua estreia ao vivo justamente na América do Sul.
“‘Ela começa no folk, passa pelo heavy metal e termina com uma atmosfera quase tribal. Nunca tocamos essa música ao vivo. Será a primeira vez na América do Sul e estamos muito animados para isso.'”
Shawn James convida fãs para o show em Curitiba
Ao encerrar a entrevista, Shawn James deixou um convite especial ao público curitibano. O artista lembrou da recepção calorosa que recebeu na última visita à cidade e afirmou que pretende retribuir esse carinho com um repertório que mistura novidades e clássicos da carreira.
“Gostaria de convidar todo mundo de Curitiba para o nosso show no Hard Rock, no dia 8 de agosto. Este será um dos shows mais especiais que já fizemos. Vamos levar músicas do novo álbum, alguns clássicos e mal podemos esperar para cantar com vocês e compartilhar uma noite especial juntos. Espero ver todos vocês lá, meus amigos.”