Olivia Rodrigo e Robert Smith durante apresentação ao vivo

Robert Smith e The Cure estão chegando a uma nova geração através de Olivia Rodrigo

11 de agosto de 2026

Olivia Rodrigo e Robert Smith estão criando uma ponte inesperada entre o pop atual e o rock dos anos 1980, levando jovens ouvintes a descobrir músicas do The Cure que seus pais provavelmente já conheciam há décadas.

Crédito da Foto: Reprodução/YouTube

Uma ouvinte que costuma escutar artistas como Mitski, AURORA e Olivia Rodrigo descobriu o The Cure quase por acaso. Ela ouvia The Cure, faixa de Rodrigo, quando deixou o streaming seguir para a próxima música. O resultado foi A Forest, clássico lançado pela banda britânica em 1980.

A história foi compartilhada no Reddit, no fórum dedicado ao The Cure, em 10 de agosto, e recebeu respostas de fãs que reconheceram no episódio uma possibilidade cada vez mais comum: artistas contemporâneos podem levar seus ouvintes a descobrir referências musicais de décadas anteriores.

A aproximação entre Olivia Rodrigo e Robert Smith também ganhou força nos últimos dois anos. Em 2025, os dois dividiram o palco no Glastonbury para cantar Friday I’m in Love. Em 2026, Smith participou de What’s Wrong With Me, faixa do terceiro álbum de Rodrigo, you seem pretty sad for a girl so in love.

O caminho até o The Cure passou por Olivia Rodrigo

A coincidência fica ainda mais curiosa porque The Cure, de Olivia Rodrigo, não foi escrita sobre a banda de Robert Smith. A cantora esclareceu em maio que o título não tinha relação com o grupo, embora tenha declarado seu carinho pelo The Cure.

Pouco depois, Smith apareceu em What’s Wrong With Me, primeira colaboração original de Rodrigo com outro artista em um de seus álbuns. A música foi apresentada ao vivo durante uma participação surpresa da cantora no Primavera Sound de Barcelona, em junho.

O novo álbum de Rodrigo também amplia referências ligadas à música alternativa dos anos 1980, com elementos associados a nomes como The Cure, New Order e DEVO.

“A Forest” encontrou uma ouvinte que não procurava pelo The Cure

No Reddit, a autora do relato contou que normalmente ouve indie e citou Mitski e AURORA entre suas referências. Ao encontrar A Forest no streaming, acabou gostando da música apesar de não considerar aquele tipo de som parte de seu repertório habitual.

A reação chamou a atenção de outros fãs do The Cure. Um dos comentários explicou que o indie contemporâneo carrega diversas influências do pós-punk britânico, citando Joy Division, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, Wire, New Order, The Sound, XTC e The Chameleons, além do próprio The Cure.

Outro usuário relatou uma experiência semelhante dentro da própria família: uma adolescente que costumava ouvir indie pop começou a explorar o Spotify dos pais e acabou se interessando por pós-punk e pela estética gótica.

O relato, isoladamente, não comprova uma migração de fãs de Olivia Rodrigo para o The Cure. Ele mostra, porém, como uma referência contemporânea pode servir de ponto de partida para a descoberta de um catálogo criado décadas antes.

O catálogo do The Cure vai muito além de “A Forest”

A variedade do The Cure ajuda a explicar por que essa descoberta pode continuar. A Forest, lançada em 1980 no álbum Seventeen Seconds, representa uma das faces mais sombrias da banda. Já Friday I’m in Love e The Lovecats mostram seu lado mais pop, enquanto Plainsong, de Disintegration (1989), aposta em uma atmosfera expansiva e melancólica.

Essa diversidade também aparece nas recomendações feitas pelos fãs para quem está chegando agora ao grupo. No Reddit, as sugestões passam por músicas mais acessíveis, como Close to Me e Friday I’m in Love, até trabalhos mais densos da discografia.

Apesar da distância de décadas, as conexões sonoras são menos distantes do que parecem. O indie atual ainda carrega elementos desenvolvidos pelo pós-punk e pelo rock alternativo britânico há mais de quatro décadas.

Robert Smith colocou o The Cure diante de um novo público

A parceria com Olivia Rodrigo levou Robert Smith a uma audiência muito diferente daquela que acompanhou o auge do The Cure. Primeiro, os dois dividiram o palco no Glastonbury de 2025. Depois, Smith participou de uma música inédita da cantora.

No primeiro encontro, Rodrigo entrou no repertório do The Cure ao cantar um clássico da banda. Em What’s Wrong With Me, o movimento foi invertido: Smith passou a integrar o universo musical de uma estrela pop acompanhada por uma geração que cresceu muito depois do auge do pós-punk.

É aí que a colaboração ganha peso cultural. Para parte desse público, Robert Smith pode ser mais do que o vocalista de uma banda histórica. Pode ser o nome que desperta a curiosidade por um catálogo inteiro.

No caso da fã que encontrou A Forest por acaso, tudo começou de maneira ainda mais simples: ela apenas deixou o streaming tocar a próxima música.

E foi assim que uma canção de 1980 encontrou uma ouvinte que provavelmente nem estava procurando por ela.

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