Dillom lança novo álbum e transforma excesso, desejo e superestimulação em ‘La Nueva Violencia’
25 de agosto de 2026
Terceiro disco do argentino foi gravado em apenas duas semanas, em uma casa transformada em estúdio, e reúne participações de St. Vincent, Sebastian Murphy, do Viagra Boys, e integrantes do Amyl and the Sniffers.
Crédito da Foto: @ramirponce/Divulgação
Dillom lançou La Nueva Violencia, seu terceiro álbum de estúdio, concebido como uma resposta visceral a uma época marcada pelo excesso, pelo desejo e pela necessidade permanente de entretenimento. O disco foi gravado durante duas semanas em uma casa de 1860 transformada em estúdio, onde o próprio ambiente passou a fazer parte das gravações.
O novo trabalho amplia o caminho iniciado por POST MORTEM (2022) e Por cesárea (2024), mas abandona a lógica tradicional de participações. St. Vincent, Sebastian Murphy, vocalista do Viagra Boys, Declan Mehrtens, guitarrista do Amyl and the Sniffers, Miranda! e Juana Aguirre aparecem no álbum sem serem creditados como featuring.
Dillom usa o excesso como matéria-prima
Em La Nueva Violencia, o argentino não tenta explicar o mundo da superestimulação. A proposta é mergulhar nele. Desejo, espetáculo, consumo, aparência, identidade e amizade aparecem como partes de uma mesma experiência caótica.
“Vedette” e “Superdiversión” exploram a busca incessante por entretenimento, enquanto “Papá Se Volvió Loco”, “Minas” e “Fashion” levam ao limite a relação entre corpo, consumo e aparência. Já “Souvenir” e “Maniquí” revelam um lado mais vulnerável do disco. O encerramento com “Amigos” abre espaço para uma ideia de afeto que escapa da lógica da troca.
A gravação também buscou preservar acidentes. Equipamentos analógicos, técnicas pouco convencionais e a acústica da própria casa foram incorporados às músicas. Um sistema de câmeras de circuito fechado registrou o processo criativo.
Participações entram no disco sem virar atração à parte
A escolha de não apresentar as colaborações como featurings é parte do conceito. St. Vincent, Sebastian Murphy, Declan Mehrtens, Miranda! e Juana Aguirre dividem o mesmo universo sonoro com Dillom, enquanto outras participações permanecem escondidas na produção.
A capa segue a mesma lógica. Criada com o artista visual Andrés Capasso, colaborador de Dillom desde o início da carreira, ela reproduz uma casa de brinquedo construída manualmente, misturando inocência, desejo, transgressão e absurdo.
Dillom consolida seu espaço na música alternativa argentina
O lançamento chega depois de uma ascensão rápida. Em 2025, Dillom reuniu mais de 35 mil pessoas no Estadio Vélez e se tornou o primeiro artista independente a encabeçar o estádio. Também venceu o Prêmio Gardel de Melhor Álbum de Rock Alternativo em 2025 e recebeu reconhecimento internacional por seu trabalho.
Com La Nueva Violencia, o argentino mantém a característica que marcou seus discos anteriores: transformar desconforto, humor, ruído e teatralidade em uma linguagem própria dentro da música alternativa latino-americana.
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