Justiça dos EUA considera Ticketmaster e Live Nation monopólio ilegal e caso pode abalar mercado de shows

16 de abril de 2026

Veredicto em Manhattan aponta prática anticompetitiva e reforça pressão sobre gigante dos ingressos

A Ticketmaster e a Live Nation sofreram uma derrota histórica na Justiça dos Estados Unidos. Um júri federal em Manhattan concluiu que as empresas mantiveram um monopólio anticompetitivo sobre grandes casas de shows e parte do mercado de ingressos, em uma ação movida por dezenas de estados americanos e o Distrito de Colúmbia.

O veredicto reconhece que a operação da Live Nation, dona da Ticketmaster desde a fusão de 2010, prejudicou a concorrência e levou consumidores a pagar mais caro. Segundo a decisão, houve uma sobretaxa média de US$ 1,72 por ingresso em 22 estados, valor que agora pode servir de base para indenizações que somariam centenas de milhões de dólares.

A ação mirava justamente o tamanho do controle exercido pela empresa em diferentes frentes do setor ao vivo: promoção de shows, operação de anfiteatros e venda de ingressos. Durante o processo, os estados argumentaram que esse domínio não era apenas grande, mas usado para sufocar concorrentes e consolidar poder sobre o circuito de grandes apresentações.

Caso reacende críticas antigas de artistas e fãs

A decisão tem peso simbólico porque toca numa ferida antiga da indústria musical. Nos últimos anos, artistas e público voltaram repetidamente a questionar o funcionamento da Ticketmaster, especialmente depois do colapso na pré-venda da turnê de Taylor Swift em 2022, caso que ajudou a transformar um incômodo antigo em debate nacional nos EUA.

Durante o julgamento, o caso também expôs bastidores desconfortáveis do setor, incluindo mensagens internas e disputas sobre taxas, contratos e controle de grandes venues. A tese central dos autores da ação era simples de entender e difícil de engolir: para muita gente, comprar ingresso virou menos uma disputa com outros fãs e mais um duelo desigual com a própria estrutura do mercado.

A empresa, por sua vez, contesta a leitura de que opere um monopólio ilegal e já sinalizou que pretende seguir brigando na Justiça. Em nota, a Live Nation afirmou que o veredicto não encerra o assunto e que ainda há pedidos e etapas pendentes que podem alterar o resultado sobre responsabilidade e danos.

Próxima fase pode definir indenizações e até separação das empresas

O caso agora entra em uma nova etapa, conduzida pelo juiz federal Arun Subramanian, que deverá analisar quais medidas corretivas serão impostas. Entre as possibilidades estão restituições financeiras e mudanças estruturais relevantes no negócio, incluindo a venda de ativos e, no cenário mais drástico, uma separação entre Live Nation e Ticketmaster.

Antes do julgamento, o Departamento de Justiça dos EUA e alguns estados haviam fechado um acordo de US$ 280 milhões com a companhia, incluindo limites para certas taxas e mais flexibilidade para casas de shows negociarem serviços. Ainda assim, a maior parte dos estados considerou o pacote insuficiente e decidiu continuar no processo até o veredicto do júri.

No curto prazo, isso não significa ingressos mais baratos já no próximo clique. Mas o veredicto abre caminho para uma mudança que o setor evita há anos: mexer na engrenagem que transformou a venda de shows em um terreno quase sem rival à altura.

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