Andreas Kisser participa de novo álbum de Bruce Dickinson e amplia conexões do metal em 2026
3 de fevereiro de 2026
Guitarrista do Sepultura gravou percussão em disco solo do vocalista do Iron Maiden, em estúdio de Dave Grohl, enquanto se aproxima da reta final da turnê de despedida da banda brasileira
Andreas Kisser atravessa 2026 em um ritmo que diz muito sobre sua trajetória. Em poucos dias, o guitarrista do Sepultura saiu de shows com o Mr. Bungle no Brasil, passou por uma apresentação espontânea e caótica do Picanha de Chernobill na avenida Paulista e, quase sem alarde, deixou registrada sua participação no próximo álbum solo de Bruce Dickinson. Não é apenas agenda cheia. É circulação simbólica por diferentes camadas do metal e do rock.
A colaboração veio à tona nesta semana por meio das redes sociais de Kisser, mas o gesto carrega um peso maior do que a simples soma de nomes. Trata-se do encontro entre dois músicos que ajudaram a consolidar cenas inteiras fora do eixo óbvio do mercado musical. Um brasileiro que levou o metal sul-americano aos grandes palcos do mundo e um vocalista que transformou o heavy metal britânico em linguagem global.
A gravação aconteceu no Studio 606, em Los Angeles, espaço criado por Dave Grohl, e reforça esse cruzamento de histórias. Ali, Andreas não empunhou a guitarra, mas contribuiu com percussão, um detalhe que diz muito sobre o caráter da participação. Menos protagonismo, mais textura. Menos virtuosismo em evidência, mais construção coletiva. Não há, por enquanto, título, data ou faixa revelada, mas o gesto fala por si.
Esse tipo de colaboração não é novidade para Kisser, mas ganha outro significado no momento atual. Enquanto segue ativo em projetos paralelos e participações pontuais, o guitarrista vive simultaneamente o processo de encerramento do Sepultura, uma das bandas mais importantes da história do metal fora do eixo anglo-saxão.
O fim de um ciclo não interrompe o movimento
O Sepultura entra em 2026 em sua fase final, com a turnê Celebrating Life Through Death caminhando para os últimos shows. A despedida definitiva, prevista para acontecer em São Paulo, ainda guarda mistério, mas já carrega o peso simbólico de um encerramento histórico. Antes disso, a banda prepara o EP The Cloud of Unknowing, que será o último registro de estúdio do grupo e marcará a formação atual com Derrick Green, Paulo Jr. e Greyson Nekrutman.
Enquanto uma história se encerra, outras continuam sendo escritas. O metal, afinal, sempre foi menos sobre estabilidade e mais sobre movimento. Andreas Kisser parece entender isso melhor do que ninguém: fechar ciclos sem perder o impulso criativo, honrar o passado sem se prender a ele e seguir circulando onde a música pede presença.