Dado Villa-Lobos admite que algumas músicas da Legião Urbana eram “chatinhas”
1 de junho de 2026
Guitarrista relembrou os altos e baixos criativos da Legião Urbana, comentou críticas ao uso de sintetizadores e refletiu sobre a figura de Renato Russo.

Mesmo quase três décadas após o fim da Legião Urbana, o repertório da banda continua sendo debatido por seus próprios integrantes. Em entrevista recente ao Estadão, o guitarrista Dado Villa-Lobos fez uma análise sincera sobre a trajetória do grupo e admitiu que nem todas as músicas lançadas pela banda envelheceram da mesma forma aos seus olhos.
Ao comentar diferentes fases da carreira da Legião Urbana, Dado afirmou que algumas composições lhe parecem excessivamente ingênuas hoje e reconheceu que o grupo viveu momentos de oscilação criativa. As declarações ajudam a humanizar uma das bandas mais importantes da história do rock brasileiro, frequentemente cercada por uma aura de unanimidade crítica e artística.
Dado Villa-Lobos aponta oscilações criativas na Legião Urbana
Formada em Brasília no início dos anos 1980, a Legião Urbana ajudou a definir a identidade do rock nacional ao lado de nomes como Titãs, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Com letras marcadas por temas políticos, existenciais e sociais, o grupo liderado por Renato Russo conquistou gerações e vendeu milhões de discos.
Apesar desse legado, Dado Villa-Lobos acredita que a trajetória da banda não foi linear. Segundo o guitarrista, houve momentos em que a energia punk presente nos primeiros anos acabou se diluindo, dando lugar a uma sonoridade mais associada ao pós-punk e aos sintetizadores.
Entre os elementos que o incomodavam estava o uso recorrente do teclado Roland Juno-106, equipamento bastante presente em gravações da fase intermediária da banda. Para Dado, algumas músicas poderiam ter seguido caminhos diferentes de arranjo e produção, evitando uma repetição estética que acabou marcando parte do catálogo.
O músico chegou a afirmar que certas faixas lhe parecem “chatinhas” atualmente, destacando que a banda, como qualquer projeto artístico de longa duração, também esteve sujeita a escolhas criativas menos inspiradas.
Renato Russo além do mito e o novo momento de Dado Villa-Lobos
Dado Villa-Lobos também falou sobre a construção da imagem mítica de Renato Russo. Em entrevistas recentes, o guitarrista tem defendido uma visão mais humana do antigo parceiro, afastando-se da ideia de um artista infalível ou de um gênio isolado.
A postura não diminui a importância de Renato para a música brasileira. Pelo contrário, reforça a percepção de que o sucesso da Legião Urbana foi resultado de uma construção coletiva, envolvendo diferentes talentos, influências e visões criativas dentro da banda. Ao revisitar essa história, Dado destaca que, por trás de um dos maiores nomes do rock nacional, havia músicos enfrentando dúvidas, limitações e processos criativos semelhantes aos de qualquer outro artista.
As declarações acontecem em um momento de intensa atividade para Dado Villa-Lobos. O músico lançou recentemente O Que Você Quiser, seu novo álbum de músicas inéditas, trabalho que marca mais uma etapa de sua carreira solo. O disco foi antecipado pelos singles “Adeus Bem-Vinda” e “Dois Brilhantes”, apresentados ao público nos últimos meses.
Enquanto novas gerações continuam descobrindo clássicos como “Tempo Perdido”, “Pais e Filhos” e “Faroeste Caboclo” através das plataformas de streaming e das redes sociais, discussões como essa ajudam a ampliar a compreensão sobre o legado da Legião Urbana. Ao reconhecer falhas, dúvidas e experimentações, Dado Villa-Lobos contribui para uma visão mais complexa e realista de uma das bandas mais influentes da música brasileira.
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