Documentário sobre o Raimundos expõe críticas à reaproximação entre Digão e Rodolfo

30 de março de 2026

Reconexão durante a pandemia reacende antigas tensões

A retomada de contato entre Digão e Rodolfo Abrantes, iniciada em 2020 após quase duas décadas de afastamento, voltou ao centro do debate com o lançamento do documentário Andar na Pedra – A História do Raimundos, disponível no Globoplay.

O reencontro entre os dois aconteceu no auge da pandemia, inicialmente revelado durante uma live — formato que se tornou comum naquele período de isolamento. Em 2021, a reaproximação ganhou um gesto público mais concreto, quando ambos compartilharam uma foto juntos, marcando o primeiro encontro presencial desde a saída de Rodolfo da banda em 2001.

Apesar do simbolismo, a reconciliação não foi recebida de forma unânime entre pessoas próximas à trajetória do Raimundos. O documentário traz depoimentos que mostram um olhar mais crítico sobre o episódio.

Depoimentos de ex-integrantes questionam sinceridade do gesto

Um dos relatos mais contundentes é do baixista Canisso, que faleceu em março de 2023. No documentário, ele afirma que não vê a reaproximação como um movimento espontâneo, mas como uma atitude motivada por circunstâncias externas.

Canisso classifica o gesto como “desesperado” e sugere que Digão buscava apoio em um momento de desgaste público. Segundo ele, a aproximação teria ocorrido em meio às críticas recebidas pelo guitarrista nas redes sociais, especialmente após posicionamentos políticos que geraram repercussão negativa.

O ex-baterista Fred Castro também expressa ceticismo. Para ele, o reencontro não aconteceu de forma natural, mas dentro de um contexto específico, marcado pelo chamado “cancelamento” nas redes e pelo cenário de pandemia. Em seu depoimento, Fred aponta que a reconciliação pode ter funcionado como uma tentativa de reorganização de imagem.

Esse contexto remete a maio de 2020, quando Digão publicou uma imagem comparando o isolamento social a uma “amostra grátis do comunismo”. A postagem gerou forte repercussão negativa, levando o músico a se retratar posteriormente, classificando a publicação como “infeliz e parcial”.

Histórico da banda para entender os conflitos

A saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos, em 2001, já havia marcado uma ruptura significativa na banda, tanto no aspecto musical quanto pessoal. A partir dali, os caminhos dos integrantes seguiram direções diferentes, com mudanças na formação e na dinâmica interna do grupo ao longo dos anos.

No documentário, Canisso também demonstra ressentimento ao comentar os impactos dessa trajetória, afirmando que foi um dos mais afetados pelas consequências das decisões internas, enquanto outros integrantes seguiram caminhos distintos fora da banda.

Em meio às polêmicas, o próprio Canisso chegou a se manifestar publicamente nas redes sociais para separar opiniões individuais da identidade do grupo, reforçando que posicionamentos pessoais de integrantes não representam a banda como um todo.

Com diferentes versões e interpretações sobre o mesmo episódio, Andar na Pedra – A História do Raimundos expõe não apenas a trajetória musical do grupo, mas também os conflitos e tensões que continuam atravessando sua história mesmo décadas depois.

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