Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa uma das obras mais influentes da música
25 de agosto de 2026
Cantora, compositora e autora de clássicos como “Jolene” e “I Will Always Love You”, Dolly construiu uma carreira de mais de seis décadas que ultrapassou as fronteiras do country e chegou ao pop e ao rock.
Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. Uma das artistas mais importantes da história da música americana, ela deixa uma obra que atravessou mais de seis décadas, centenas de composições e diferentes gerações de artistas. Embora seu nome seja imediatamente associado ao country, definir Dolly apenas pelo gênero seria diminuir o tamanho de sua influência. Compositora antes de qualquer coisa, ela criou músicas que sobreviveram às próprias gravações e passaram a fazer parte da cultura popular.
De uma família com 12 irmãos para a música
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, e cresceu em uma família de 12 irmãos em uma região rural próxima às Great Smoky Mountains. A música apareceu cedo. Ainda criança, Dolly cantava em igrejas e rádios locais. Aos 13 anos, já havia gravado seu primeiro single e se apresentado no Grand Ole Opry. Depois de terminar os estudos, mudou-se para Nashville em 1964 determinada a trabalhar profissionalmente com música.

Inicialmente, foi justamente como compositora que começou a abrir espaço na indústria.
O grande salto aconteceu no final dos anos 1960, quando passou a participar do programa de televisão de Porter Wagoner. A parceria transformou Dolly em um rosto conhecido do público americano, mas ela logo demonstraria que pretendia construir uma carreira própria.
“Jolene”
Em 1973, surgiu a música que se tornaria seu grande hit. “Jolene” transformou uma experiência pessoal, onde uma mulher pede para outra não levar embora o homem que ama em uma das canções mais reconhecidas da música popular.
A história teria sido inspirada pela atenção que uma funcionária de banco dava a Carl Dean, marido da cantora. A combinação de vulnerabilidade, melodia imediatamente reconhecível e uma interpretação praticamente hipnótica fez a música atravessar gerações.
“Jolene” seria posteriormente gravada por artistas tão diferentes quanto The White Stripes, Miley Cyrus, The Sisters of Mercy e Måneskin.
Poucas músicas demonstram tão claramente como uma grande composição consegue sobreviver independentemente do estilo musical.
A música de Dolly que virou fenômeno com Whitney Houston
Dolly escreveu e lançou “I Will Always Love You” em 1974 como uma despedida profissional de Porter Wagoner. Quase duas décadas depois, Whitney Houston transformou a composição em um fenômeno mundial através do filme “O Guarda-Costas”. A gravação de Whitney tornou-se uma das músicas mais reconhecidas dos anos 1990. Mas a história poderia ter sido muito diferente. Elvis Presley chegou a demonstrar interesse em gravar “I Will Always Love You”. O acordo não aconteceu porque o empresário de Elvis, Colonel Tom Parker, exigia parte dos direitos de publicação da composição. Dolly recusou. Anos depois, ela diria que aquela foi uma das decisões mais importantes de sua carreira.
Muito além do country
Durante os anos 1970 e 1980, Dolly ampliou progressivamente seu público. “Here You Come Again” ajudou na aproximação com o pop. “9 to 5”, lançada em 1980 para o filme de mesmo nome, tornou-se outro de seus grandes clássicos e também uma espécie de hino sobre a rotina e as dificuldades das mulheres no ambiente de trabalho. Dolly também construiu uma carreira no cinema, participando de produções como “9 to 5”, “The Best Little Whorehouse in Texas” e “Steel Magnolias”. Aquela garota criada em uma família pobre do Tennessee havia se transformado em uma das figuras mais reconhecíveis da cultura americana.
Dolly entra para o Rock and Roll Hall of Fame
A relação de Dolly com o rock ganhou um capítulo curioso em 2022. Quando seu nome apareceu entre os indicados ao Rock and Roll Hall of Fame, ela inicialmente pediu para retirar sua candidatura. Dolly dizia não sentir que havia “conquistado esse direito”, já que sua carreira havia sido construída principalmente no country. O Hall of Fame manteve a indicação. E Dolly foi eleita. Ao aceitar a homenagem, resolveu responder da maneira mais Dolly Parton possível: decidiu que precisava fazer um disco de rock.
“Rockstar”
O resultado chegou em 2023. “Rockstar” colocou Dolly ao lado de alguns dos maiores nomes da história da música. Paul McCartney, Ringo Starr, Elton John, Sting, Stevie Nicks, Steven Tyler, Joan Jett, Debbie Harry, Rob Halford, John Fogerty, Peter Frampton e outros artistas participaram do projeto. Dolly revisitou clássicos dos Beatles, Rolling Stones, Queen, Led Zeppelin, Prince e outros gigantes. O álbum não representava uma tentativa de abandonar o country. Era Dolly mostrando que as fronteiras entre esses universos sempre foram menores do que pareciam.
Uma obra que não cabe em um gênero
Talvez por isso sua morte provoque uma reação que ultrapassa o universo do country. Dolly Parton pertence àquela pequena categoria de artistas cuja obra deixou de pertencer exclusivamente ao gênero onde nasceu. “Jolene” virou rock. “I Will Always Love You” virou soul e pop na voz de Whitney Houston. “9 to 5” virou parte da cultura popular. E Dolly, que certa vez achou que não merecia estar no Rock and Roll Hall of Fame, terminou a carreira dividindo um disco com Beatles, Stones, Judas Priest, Aerosmith, Blondie, Fleetwood Mac e tantos outros nomes que ajudaram a escrever a história do rock. Dolly Parton começou no country. Sua obra terminou pertencendo à música.