Gene Simmons gera polêmica ao falar sobre o rap no Hall da Fama do Rock
11 de fevereiro de 2026
O veterano Gene Simmons, baixista e vocalista do KISS, voltou a causar controvérsia ao comentar o papel do rap na história da música. Em conversa recente no podcast Legends N Leaders, o músico questionou novamente a presença de artistas de Hip Hop no Hall da Fama do Rock and Roll. Para ele, bandas como Iron Maiden, que lotam estádios ao redor do mundo, merecem entrar antes de pioneiros do rap como Grandmaster Flash.
Simmons lembrou que já debateu o assunto com Ice Cube, uma das vozes mais respeitadas do rap. Ele diz admirar o trabalho do rapper, mas ressalta que o Hip Hop “não fala a sua língua” e, por isso, não deveria ser homenageado em um espaço dedicado ao rock. O músico reforça que o Hall da Fama tem esse nome por um motivo e pergunta, em tom irônico, quando Led Zeppelin será indicado ao suposto “Hall da Fama do Hip Hop”.
Ao explicar sua posição, Simmons afirma que categorias musicais existem porque definem abordagens distintas. Ele classifica o rap como uma forma de arte falada, na qual rimas são recitadas sobre bases rítmicas, com poucas melodias. O baixista admite que artistas como Eminem têm talento e que a habilidade de combinar palavras e batidas é complexa, mas diz que a música simplesmente não o toca.
No mesmo papo, Simmons aproveitou para alfinetar a música eletrônica. Para ele, a tarefa mais difícil é criar uma canção simples e inesquecível, algo que, segundo o músico, não acontece em muitos hits do EDM. Ele afirmou que não existem bandas de tributo a DJs como Skrillex, embora reconheça que a música eletrônica possa deixar as pessoas felizes.
A conversa também descambou para a saúde da indústria musical atual. Simmons disse que vê muitos artistas talentosos, mas lamentou que o negócio da música tenha mudado: hoje, gravadoras não investem em novos nomes, fãs baixam músicas de graça e, segundo ele, isso impede que “o próximo Beatles ou o próximo Elvis” tenham oportunidades. Ele ressaltou que, desde a Renascença, artistas sempre dependeram de patrocínio e que o termo “music business” existe porque a música sempre foi um negócio, mesmo que alguns românticos queiram acreditar no contrário.
Essa não é a primeira vez que Gene Simmons dispara contra o rap. Em 2016, ele declarou à Rolling Stone que estava “aguardando a morte do rap” e que a música deveria voltar a valorizar melodia e letra, em vez de “apenas falar”. Na mesma entrevista, o músico afirmou que o rap iria desaparecer “no próximo ano, em dez anos, em algum momento”. Dez anos depois, o Hip Hop continua sendo uma das forças mais populares da música, enquanto Simmons segue reclamando de seu espaço.