Guns N’ Roses em Curitiba

22 de novembro de 2016

por Clovis Roman

A comoção gerada pelo anúncio da volta de Slash e Duff Mckagan ao Guns N’ Roses foi a maior do atual milênio no ramo musical. Afinal, o grupo, que se manteve na ativa liderado pelo excêntrico vocalista Axl Rose foi o maior nome do Hard Rock no final dos anos 80 e primeira metade da década seguinte. Seu legado, escrito em um período curto de tempo, se tornou referência para o estilo desde então. Em 2008 eles lançaram Chinese Democracy, um bom disco que parece mais um trabalho solo de Rose. Mas o que os fãs queriam mesmo era o que se concretizou este ano: uma turnê mundial com o icônico guitarrista Slash, com o qual o vocalista trocou farpas durante anos e anos. O regresso de Mckagan deu o toque especial, pois o baixista é um dos músicos mais competentes já visto por aí.

Para a felicidade geral na nação, a turnê teve uma ‘perna’ pelo Brasil, e contemplou várias cidades, sendo uma delas Curitiba, que já havia recebido a banda em 2014. Dessa vez, entretanto, o palco foi a Pedreira Paulo Leminski, que transbordou de gente: o show deu sold-out meses e meses antes da data, coisa rara em Curitiba. Para o aquecimento, um lendário nome do Rock nacional, a Plebe Rude, que mandou sons mais recente junto a composições de seu álbum mais famoso, “O Concreto já Rachou”, de 1985. Atualmente estão na formação Philippe Seabra e Clemente (ambos guitarra e vocal), André X (baixo) e Marcelo Capucci (bateria), que mostraram unidade e coesão em seu repertório. Vale mencionar que “Até Quando Esperar?” também foi executada; um encerramento em grande estilo.

Após alguma espera, a introdução do show agitou o imenso público presente, que foi agraciado com uma dobradinha sensacional: “It’s So Easy” e “Mr. Brownstone”. Era difícil saber para onde olhar: a figura caricata e envolvente de Axl, o igualmente marcante tanto visualmente como musicalmente Slash ou Mckagan. Além do trio que por razões óbvias é o centro das atenções, a formação também conta com o guitarrista Richard Fortus (que lembra bastante o integrante original do posto, Izzy Stradlin), o competente baterista Frank Ferrer e os tecladistas Melissa Reese e Dizzy Reed (na banda há 26 anos), que também cuidam dos vocais de apoio.

Nas primeiras canções, Rose se mostrou bastante contido. Após estar devidamente aquecido, ele começou a soltar a voz em “Chinese Democracy”, a terceira do repertório. Faixa título do álbum que levou mais de uma década pra ser lançado, ela se mostrou a altura dos clássicos, e foi surreal ver Slash tocá-la, afinal, ele não a gravou originalmente. O cara da cartola simplesmente destruiu, mostrando o porquê de ser considerado um grande músico e ter uma carreira sólida. Ele também deu nova roupagem a composições como a espetacular “Better” e a tocante balada “This I Love”. Mas como o que a galera queria mesmo era ver os clássicos antigos, o repertório acabou sendo focado em Appetite for Destruction, o debut de 1987: além das já citadas “It’s So Easy”, “Mr. Brownstone”, ainda tivemos “Nightrain”, “Out Ta Get Me” e “Rocket Queen”, além de “Paradise City”, que encerrou a apresentação. E é claro que “Welcome to the Jungle” (logo no começo) e “Sweet Child O’ Mine” também não ficaram de fora, sendo ambas alguns dos momentos de maior empolgação da plateia.

Os dois volumes de Use Your Illusion somaram sete músicas apresentadas, entre elas as gigantescas “Coma” e “Civil War”, ambas com cerca de 10 minutos de duração e em sequência, além do mega-hit “November Rain” (infelizmente não choveu na hora, afinal, o show foi em novembro), “Double Talkin’ Jive” e “You Could be Mine”, outra cantada em uníssono.

Poucas bandas conseguem apresentar um repertório tão extenso sem perder o domínio do palco. O Guns N’ Roses é uma das exceções, afinal, o setlist contou com 26 músicas e manteve a energia do começo ao fim. Mesmo os solos, jams e covers tiveram um papel relevante durante o show que teve aproximadamente duas horas e meia. Interessante ver como Axl Rose melhorou como vocalista, e se mantém um grande frontman. Ele nem precisa se comunicar tanto com a platéia (coisa que realmente não fez) para hipnotizá-los. E dividir os holofotes com Slash e Duff também foi de grande valia, mostrou um tanto de humildade. Sua passagem no AC/DC deve ter lhe ensinado muita coisa.

MÚSICAS

It’s So Easy

Mr. Brownstone

Chinese Democracy

Welcome to the Jungle

Double Talkin’ Jive

Better

Estranged

Live and Let Die [Wings]

Rocket Queen

You Could Be Mine

New Rose [The Damned]

This I Love

Used to Love Her

Civil War

Coma

Speak Softly Love (Love Theme From The Godfather)

Sweet Child O’ Mine

Out Ta Get Me

Wish You Were Here [Pink Floyd]

November Rain

Yesterdays

Knockin’ on Heaven’s Door [Bob Dylan]

Nightrain

Patience

The Seeker [The Who]

Paradise City

FOTOS – Créditos : Katarina Benzova 

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Exemplo:
Artista: Neil Young
Música: Rockin' In The Free World
#Esse som é muito marcante pra mim porque foi o primeiro que rolou na minha programação.

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