Jennifer Finch, baixista do L7, na foto de seu livro

Jennifer Finch, do L7, conta sua própria história em livro que será lançado após sua morte

18 de agosto de 2026

Concluída antes da morte da baixista, a autobiografia percorre sua adolescência no punk de Los Angeles, a ascensão do L7, a luta contra a dependência e os bastidores de uma cena que transformou o rock.

Crédito da Foto: Shooting Up and Making Out: A Memoir of My Life in LA and L7 Artwork.

A história de Jennifer Finch será contada pela própria baixista em um livro que chegará às livrarias após sua morte. Shooting Up and Making Out: A Memoir of My Life in LA and L7, escrito em parceria com Jeff Alulis, será publicado em 19 de janeiro de 2027 pela editora Da Capo.

Concluído antes da morte de Finch, o livro percorre sua adolescência na cena punk de Los Angeles, a passagem por bandas como Sugar Babydoll, a formação do L7, a dependência de heroína, a fotografia e o envolvimento em movimentos pelos direitos reprodutivos. Finch morreu aos 59 anos, em 18 de julho de 2026, após enfrentar um câncer cerebral agressivo.

A história que Jennifer Finch deixou pronta antes de morrer

O aspecto mais particular da autobiografia é que Finch teve tempo de concluir o projeto e revisar seu conteúdo ao lado de Alulis. Segundo o coautor, os dois trabalharam durante dois anos para garantir que o texto refletisse exatamente a visão da baixista sobre sua própria vida.

O resultado promete fugir da tradicional autobiografia de uma estrela do rock. Finch não esteve apenas no centro da ascensão do L7: ela também foi testemunha e participante de uma comunidade artística que ajudou a definir o underground de Los Angeles nos anos 1980 e 1990.

A narrativa parte de experiências pessoais difíceis, incluindo uma infância marcada por abuso, e acompanha a maneira como a música, a fotografia e a cena punk se tornaram ferramentas de sobrevivência e expressão. O livro também aborda sua relação com a heroína e o processo posterior de sobriedade.

Finch morreu em julho, depois de enfrentar complicações relacionadas ao tratamento contra um câncer cerebral agressivo. Antes disso, ela já havia recebido tratamento para câncer de tireoide, diagnosticado em 2011.

Jennifer Finch estava no centro de uma rede que mudou o rock alternativo

A trajetória de Finch ajuda a explicar por que sua memória ultrapassa a história do L7. Ainda adolescente, ela circulava pela cena punk de Los Angeles e estabeleceu amizades com artistas que posteriormente se tornariam figuras importantes do rock alternativo.

Entre essas relações estava Courtney Love, com quem Finch tocou na formação inicial do Sugar Babydoll, ao lado de Kat Bjelland, que posteriormente fundaria o Babes in Toyland. Finch também conheceu Flea, do Red Hot Chili Peppers, ainda adolescente, quando começou a aprender baixo.

Em 1986, Finch cofundou o L7 ao lado de Donita Sparks e Suzi Gardner. A banda se transformaria em uma das formações femininas mais influentes do rock pesado alternativo dos Estados Unidos, especialmente durante a explosão do grunge no início dos anos 1990.

A importância de Finch também aparece nos relatos de músicos que conviveram com ela. Tom Morello, ainda antes de formar o Rage Against the Machine, contou que recebeu apoio de Finch quando tentava se estabelecer em Los Angeles. Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, também manteve amizade com a baixista e destacou sua preocupação em abrir espaço para mulheres na música.

No L7, Finch participou de uma fase decisiva da banda, incluindo os discos Smell the Magic e Bricks Are Heavy. O segundo consolidou o grupo em escala internacional, especialmente com a faixa Pretend We’re Dead, enquanto a banda passava a dividir espaço com nomes como Nirvana e a aparecer em programas da MTV dedicados ao rock alternativo.

A autobiografia também recupera o papel político de Finch. Ela esteve envolvida com o Rock for Choice, iniciativa ligada ao L7 que organizava shows e ações em defesa dos direitos reprodutivos. A participação nesse movimento reforça uma característica que atravessa o livro: para Finch, música e posicionamento político não eram campos separados.

O livro também registra a despedida do L7

A publicação chega em um momento particularmente delicado para o L7. A banda está programada para realizar uma turnê de despedida pela América do Norte no segundo semestre de 2026, agora depois da morte de sua baixista original.

Finch havia se afastado das apresentações por causa de sua condição de saúde, mas as integrantes mantiveram o planejamento da turnê após receberem sua autorização. O cenário mudou radicalmente depois de sua morte, transformando os shows finais em uma despedida que também terá sua ausência como parte inevitável da narrativa.

O livro oferece, nesse sentido, um registro diferente da história do grupo. Em vez de uma retrospectiva construída depois dos acontecimentos, Shooting Up and Making Out apresenta a trajetória a partir das memórias e interpretações da própria Finch, incluindo sua saída do L7, os conflitos pessoais, os relacionamentos, a dependência química, a sobriedade e a percepção que desenvolveu sobre o impacto da banda.

Um dos temas recorrentes é justamente a tensão entre pertencer a uma cena e ser posteriormente transformada em personagem de uma história maior. Finch chegou a questionar a forma como a imprensa tratou o L7 durante a explosão comercial do grunge, especialmente a tendência de apresentar a banda como uma referência periférica em relação aos grupos masculinos que dominaram o mercado.

A publicação de Shooting Up and Making Out permite que essa história seja lida novamente a partir da perspectiva de quem estava dentro dela.

Para fãs de L7, a importância do livro está também nos detalhes sobre uma época em que punk, hardcore, grunge, metal alternativo e ativismo político conviviam nos mesmos clubes e circuitos. Para além da carreira musical, a autobiografia funciona como um documento pessoal sobre a formação de uma geração de artistas em Los Angeles.

O livro será lançado em 19 de janeiro de 2027, pela Da Capo.

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