KIM GORDON ANUNCIA SEU TERCEIRO ÁLBUM SOLO, PLAY MESERÁ LANÇADO EM 13 DE MARÇOVIA MATADOR RECORDS

15 de janeiro de 2026

ASSISTA AO CLIPE DE “NOT TODAY”,
LANÇADO HOJE AQUÍ

A visão de arte e ruído de Kim Gordon ganhou contornos ainda mais nítidos ao mesmo tempo em que se transformou – um paradigma de possibilidades que, quatro décadas depois, continua soando como um desafio. A jornada segue no terceiro álbum solo da artista, PLAY ME, que será lançado em 13 de março pela Matador Records. A faixa principal, “NOT TODAY”, já está disponível, acompanhada por um curta-metragem dirigido pelas fundadoras da Rodarte e cineastas Kate e Laura Mulleavy, com direção de fotografia de Christopher Blauvelt. A canção evidencia uma tensão poética na voz de Gordon. “Comecei a cantar de um jeito que não cantava havia muito tempo”, ela diz. “Essa outra voz apareceu.”

Para o vídeo, Gordon veste um vestido de tule de seda tingido à mão, de uma coleção inicial da Rodarte, feito sob medida para ela pelas Mulleavy. “Ela era nosso ídolo e lembramos vividamente de ajustar o vestido nela em Nova York”, disseram. “Quando começamos a conceituar o vídeo, Kim sugeriu usar o vestido, e sabíamos que era perfeito para a ideia do vídeo.”

Assista ao vídeo de”Not Today” AQUI

PLAY ME é destilado e imediato, ampliando a paleta sonora de Gordon para incluir batidas mais melódicas e o impulso motorik do krautrock. “Queríamos que as músicas fossem curtas”, diz Gordon sobre a continuidade de sua colaboração com o produtor de Los Angeles Justin Raisen (Charli XCX, Sky Ferreira, Yves Tumor). “Queríamos fazer tudo de forma bem rápida. É mais focado e talvez mais confiante. Sempre trabalhei muito a partir de ritmos, e eu sabia que queria que este fosse ainda mais orientado por batidas do que o anterior. Justin realmente entende minha voz e minhas letras, entende como eu trabalho – isso apareceu ainda mais neste disco.”

Em 2019, o álbum solo de estreia de Gordon, No Home Record, provou que ela continuava afinada com os sons de vanguarda, misturando avant-rap e footwork à sua arte sonora conceitual. Já The Collective, em 2024, foi pesado como tijolos e ainda mais ousado, liderado pelo estrondo industrial tectônico de sua faixa-manifesto em forma de lista e rage-rap, “BYE BYE”, rendendo duas indicações ao Grammy.

O recém-chegado PLAY ME processa, à maneira inimitável de Gordon, os danos colaterais da classe bilionária: a demolição da democracia, o fascismo tecnocrático do fim dos tempos, o achatamento cultural movido por A.I. e “vibes relax”, onde o humor ácido dá voz ao absurdo da vida moderna. Mas, apesar de seu olhar frequentemente voltado para fora, PLAY ME é um disco interior, no qual uma emocionalidade intensificada pulsa por meio de jams físicas, rejeitando declarações definitivas em favor de uma curiosidade que mantém Gordon em busca constante, sempre em processo.

Em meio ao bricolage de realidade de PLAY ME, aos vocais com pitch alterado e às camadas sombrias de dissonância, as canções de Gordon permanecem claras quanto à atenção que dedicam a um mundo que preferiria nos distrair até o esquecimento. “Tenho que dizer, a coisa que mais me influenciou foram as notícias. Estamos em algum tipo de ‘pós-império’ agora, onde as pessoas simplesmente desaparecem”, ela diz, ecoando o título de uma das faixas de PLAY ME.

O tenso tropeço e o guincho de “No Hands” contêm a imprudência do humor nacional. O baixo trêmulo e os versos de associação livre de “Subcon” sugerem a atomização sombria da vida na era das plataformas, antes de provocar aspirantes a colonizadores do espaço: “You want to go Mars / And then what?”. “Square Jaw” acusa a masculinidade tóxica divisiva de Elon Musk ao descrever a poluição visual dos caminhões da Tesla. Narrando a entrega total e ameaçadora de uma pessoa à tecnologia, “Dirty Tech” lamenta as vítimas humanas da A.I. que não conseguem reconhecer sua devastação ambiental. “Eu estava meio que refletindo se meu próximo chefe vai ser um chatbot de IA”, diz Gordon. “Somos os primeiros cujas luzes vão se apagar, não os bilionários da tecnologia. É tão abstrato que as pessoas não conseguem compreender.” Ao usar sua própria linguagem abstrata para descrever a realidade, ela começa a torná-la mais clara.

O humor ácido dá voz ao absurdo da vida moderna. “Busy Bee” distorce uma amostra de Gordon conversando com sua colega de banda do Free Kitten, Julia Cafritz, durante uma aparição na mídia nos anos 1990, transformando o diálogo em guinchos agudos (com Dave Grohl na bateria) para expor sentimentos que parecem totalmente contemporâneos (“the pressure to relax, it was just too much for her”).

Uma obra de oposição artística absolutamente atual, “ByeBye25” recria a faixa de abertura de The Collective com novas letras reaproveitadas da lista de palavras proibidas de Trump — termos que a administração sinalizou para cancelar propostas de bolsas e pesquisas. A lista vai de “they/them”, “climate change” e “uterus” a “bird flu”, “peanut allergy” e “tile drainage”, tornando-se, como muitas faixas de PLAY ME, secamente hilária.

A faixa-título transforma nomes de playlists do Spotify em letra sobre um groove trip-hop. “Rich popular girl / Villain mode / Jazz in the background / Chilling after work”, Gordon entoa em seu sprechgesang – outra lista ridícula, com as bordas de cada frase derretidas como as Noise Paintings escorridas de Gordon, representando a tirania da cultura sem atrito. “É meio que parte integrante da cultura da conveniência em que vivemos, onde nossas escolhas são meio que curadas o tempo todo”, diz Gordon. “As coisas são rotuladas de uma forma que tenta prever qual será o seu humor antes mesmo de você ter um humor. Acho isso interessante e também realmente ofensivo.”

Leia o texto completo de apresentação do álbum por Jenn Pelly AQUI.

PLAY ME Tracklist:

1.     PLAY ME

2.     GIRL WITH A LOOK

3.     NO HANDS

4.     BLACK OUT

5.     DIRTY TECH

6.     NOT TODAY

7.     BUSY BEE

8.     SQUARE JAW

9.     SUBCON

10. POST EMPIRE

11. NAIL BITER

12. BYEBYE25!

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