Por que o já falecido ícone do rock Lou Reed aparece nos créditos do novo álbum de Madonna?
9 de junho de 2026
Entenda como o nome de Lou Reed surgiu em Confessions II, novo projeto de Madonna que revisita a Nova York dos anos 80.

O lançamento do curta Confessions II: The Film, apresentado por Madonna durante o Festival de Tribeca, trouxe uma surpresa que chamou a atenção dos fãs mais atentos. Nos créditos do projeto audiovisual, que antecipa as primeiras faixas do próximo álbum da cantora, o nome de Lou Reed aparece como coautor de “Danceteria”, uma das músicas inéditas do disco. A presença do líder do Velvet Underground intrigou parte do público, já que o músico faleceu em 2013 e nunca chegou a colaborar diretamente com a artista.
A explicação está na própria construção da faixa. “Danceteria”, inspirada na boate nova-iorquina frequentada por Madonna no início dos anos 1980, utiliza uma interpolação de “Walk on the Wild Side”, clássico lançado por Lou Reed em 1972. O trecho vocal reproduzido na nova canção faz com que o compositor receba oficialmente crédito autoral. O encontro entre dois grandes nomes intimamente ligados à história cultural de Nova York também reforça o caráter nostálgico de Confessions II, sequência direta de Confessions on a Dance Floor, álbum que ajudou a redefinir a fase dançante da cantora em 2005.
Lou Reed surge nos créditos de “Confessions II” e chama atenção no novo projeto de Madonna
A presença de Lou Reed nos créditos funciona como um elo entre diferentes gerações da música popular. Embora Madonna seja associada ao pop e Reed ao universo do rock, ambos construíram suas carreiras tendo Nova York como cenário central. Em “Danceteria”, a artista revisita sua juventude na cidade e recupera referências do período em que frequentava clubes underground antes da fama mundial.
A escolha de utilizar um fragmento de “Walk on the Wild Side” também reforça a proposta nostálgica de Confessions II. O álbum revisita a estética das pistas de dança que influenciaram Madonna no início da carreira, combinando música eletrônica e referências à cultura clubber dos anos 1980. Entre os colaboradores estão Andrew Watt e Stuart Price, produtor que ajudou a definir a identidade sonora de Confessions on a Dance Floor (2005).
O curta lançado recentemente amplia essa narrativa. Com estética provocativa e visual diversas referências à cultura clubber, o filme apresenta as seis primeiras músicas do álbum e mistura diferentes personas criadas por Madonna ao longo de décadas.
Nova York como ponte entre Lou Reed e Madonna em duas eras da música
A presença de “Walk on the Wild Side” em Confessions II também ajuda a conectar duas figuras fundamentais da cultura nova-iorquina. Embora tenham construído carreiras em universos distintos, Lou Reed no rock e Madonna no pop, ambos transformaram Nova York em parte essencial de suas identidades artísticas. A cidade que moldou o Velvet Underground nos anos 1960 foi a mesma que recebeu uma jovem Madonna em busca de espaço na cena noturna do início dos anos 1980.
Mais do que uma coincidência, a referência funciona como uma ponte entre diferentes momentos da história cultural da cidade. Lançada em 1972, “Walk on the Wild Side” capturava personagens e ambientes que definiam a Nova York underground da época. Décadas depois, Madonna retorna a esse imaginário ao revisitar as pistas de dança e clubes que marcaram sua formação artística.
Quatro décadas após o início da carreira, Madonna ainda opera dentro de uma lógica em que a memória funciona como eixo estruturante de sua obra. Em Confessions II, essa dinâmica aparece na forma como o legado de Lou Reed e a vivência da artista nos clubes de Nova York se cruzam em uma mesma narrativa. O álbum reforça, mais uma vez, a centralidade da cidade como ponto de convergência de trajetórias distintas que seguem em diálogo dentro da história da música popular.
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