MONSTERS OF ROCK: GUNS’N’ROSES, A MAIOR BANDA DO MUNDO?

9 de abril de 2026

Com shows espetaculares, edição 2026 do tradicional festival foi das melhores em anos recentes

Por Carlos Eduardo Oliveira

A edição 2026 do mais tradicional festival de rock/metal do país provou ser um das mais acertadas dos últimos tempos – e olha que não faltam tiros certeiros em edições recentes. O que se presenciou no Allianz Park no ultimo sábado em São Paulo foi o equilíbrio perfeito entre talentos emergentes, veteranos em excelente forma e um headliner arrasa-quarteirão. Ponto para a curadoria da produtora Mercury Concerts, que assina o evento.

No quesito operacional, tudo funcionou em sintonia: acesso ao estádio fácil e sem tumultos, lotação praticamente máxima mas sem desconfortos, serviços (acesso a banheiros, comida, etc) fluindo sem filas, e a inovação de uma área de descanso (na lateral da arquibancada) para quem está na pista. Já em relação aos preços de bebidas, cerveja a R$20 e copo de água a R$10, falam por si só.       

>JAYLER:

Olho neles: com o sol ainda a pino, o quarteto inglês, garotos vestidos de hippies fora de época, provou que pode ir longe com seu som à la 70’s, filtrando com personalidade e talento os assumidos eflúvios de Led Zeppelin. Destaque para o cantor James Bartholomew, que até se esforça em emular Robert Plant – mas tem talento próprio, além de tocar guitarra como poucos vocalistas o fazem. Muito, muito bom.

>DIRTY HONEY

Marquem esse nome: outra banda que já vem dando o que falar, e que em cena simplesmente detonou, com muita personalidade, caindo nas graças de quem já estava mais cedo no Allianz Park: hard rock “raiz”, com palpáveis tinturas de Aerosmith e uma presença de palco envolvente. O nome do quarteto é ótimo, Marc LaBelle é excelente cantor, e o grupo de Los Angeles não deve demorar em reaparecer por aqui.

>YNGWIE MALMSTEEN

O ego de um dos maiores “malas” da história do rock impressiona, com tecladista e baixista espremidos no cantinho do palco e baterista quase escondido atrás de uma pilha de amplificadores Marshall – nenhum deles é mostrado no telão. Ocupando o palco, apenas ele, Rolex, correntes e crucifixos de ouro à mostra. O sueco é “mala”, mas é gênio – sua alquimia entre metal e música clássica, estilo por ele criado, é grandiosa, épica, envolvente. Dividindo vocais com o tecladista Nick Marino, trocando Fenders Stratocasters idênticas a cada canção, o músico se esforçou em simpatia com o público. Ao contrário de outros ases das seis cordas como Vai e Satriani, que em cena deixam seu talento fluir, tudo em torno de Malmsteen, cada movimento, cada nota, é construído para realçar a todo instante o guitar hero que de fato ele é. Um ótimo show. Saiu consagrado.

>HALESTORM

Outra apresentação coesa que abrilhantou o evento. Ainda que tenda mais para o hard rock, o quarteto da Pensilvânia, EUA, ganhador de um Grammy (em 2013), também não fica longe do metal. Sensual, de mini-saia e botas de cano alto, a cantora/guitarrista Lzzy Hale comanda a apresentação parecendo apreciar cada segundo do show – ótima performer, só deveria maneirar um pouquinho nos gritos, um tanto exagerados para demonstrar versatilidade nos agudos. A ótima “Like A Woman Can”, quase um hino, foi dedicada a todas as mulheres presentes.

>EXTREME

Apesar de um ótimo e carismático cantor (Gary Cherone) e um guitarrista excepcional, o Extreme continua meio “sem sal”. Nas seis cordas, o luso Nuno Bettencourt entrega momentos excepcionais, provando pairar acima da própria banda. Ponto alto: as baladas da MTV (sim, ela existiu um dia) que literalmente fizeram a carreira do grupo, “Hole Hearted” e, principalmente, “More Than Words”, em momento banquinho-e-violão – um dos grandes momentos do festival, com muito marmanjo fã de Slayer cantando junto, prova do acerto da escalação do quarteto de Boston. As boas “Get the Funk Out” e “Rise” fecharam o set. O público gostou bastante. 

>LYNYRD SKYNYRD:

Muitíssimo bem escalados como co-headliners. “Skynyrd is in the house”, avisou o cantor Johnny Van Zant, irmão do fundador do grupo, Ronnie Van Zant (1949-1977). Não é difícil esbarrar em quem questione a legitimidade dos reis do southern rock, por falta de integrantes originais na atual formação. Sorry informar: lenda do rock, o LS tomou de assalto o palco com uma apresentação exímia, espetacular. Além de excelente cantor, Van Zant é entertainer completo – sabe tudo de palco e de sintonia com o público. Não faltaram momentos tocantes, como os hits “That Smell” e “Simple Man”, canções que meio que definem o grupo. Idem para as homenagens aos ex-integrantes já falecidos. Assinatura da banda, três guitarras, conjuntas, revezam-se entre ritmo e solos – destaque para o talento do veterano Rick Medlocke. O megahit “Sweet Home Alabama” causou catarse, ao final. E o que foi aquela versão de 22 minutos do clássico “Free Bird” que fechou o set, no bis?  

>GUNS’N’ROSES

“A maior banda de hard rock da história. Nunca decepciona”. O fã chato ao lado tem razão: em uma boa noite, como na do último sábado, os gunners são imbatíveis. No Monsters 2026, viveram estado-de-graça. Aliás, desde o reagrupamento em torno do núcleo original – o baixista Duff McKagan, o guitar hero Slash e o cantor Axl Rose, de voz plenamente recuperada –, o Guns vive seu melhor momento, e um dos highlights da extensa carreira. “Noite linda. E estamos com nossos amigos”, saudou Axl. Apresentação histórica, duas horas e quarenta minutos de um show fenomenal. Guns’n’Roses recuperou cetro e coroa como uma das maiores bandas de rock do mundo, no momento. E Isaac Carpenter, o novo e atual batera, é simplesmente um monstro.

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