Novo Cinema Popular Brasileiro: Coração de Neon é pioneiro no gênero cinematográfico

23 de janeiro de 2023

Por Assessoria 

Em Cannes, a produção independente foi reconhecida pela história cativante, financiada por recursos próprios

Entre os blockbusters e os filmes cult há um espaço que ainda não havia sido ocupado pelas produções brasileiras. No país em que a comédia é o principal atrativo de público para as salas de exibição, abordar pautas que fogem do interesse comum e misturar diferentes gêneros são atitudes ousadas – mas que fizeram Coração de Neon conquistar, no Festival de Cannes, os olhares atentos dos críticos e o título do primeiro longa do “novo cinema popular brasileiro”, elencado pelos produtores Cláudio Khanz e Adriana Rouanet.

Assim como na vida real, o enredo do filme não se limita a um gênero. É costurado por ação, drama e romance. Com o Boqueirão, um dos bairros mais populosos de Curitiba, como plano de fundo, a história começa com o sonho de Fernando e seu pai, Lau, de levar o Coração de Neon, um carro de telemensagem, para os Estados Unidos. Depois de uma apresentação da dupla não terminar conforme o esperado, a trama muda de direção.

Para transportar o espectador para o universo do “Boquera” (codinome do bairro utilizado pelos moradores), o longa utiliza uma linguagem narrativa e visual que faz parte da periferia de outras grandes cidades do país. É o retrato do Brasil com sotaque curitibano. A similaridade também está nas pautas abordadas no decorrer do filme, como a violência – presente nos relacionamentos, na ação policial e nas discussões, dentro e fora das telas, na vida de milhares de brasileiros.

Coração de Neon conquista pela sensibilidade de colocar contrapontos na narrativa. Se por um lado os acontecimentos que envolvem os personagens são densos, a história também é guiada pelo sonho, pelo otimismo e pelas amizades. O amor, personificado no filme pelo Boquelove – como o carro de telemensagem é apelidado – é o grande aliado do protagonista para se manter firme na realização do seu propósito.

Conduzido por uma equipe 99% curitibana – com exceção da pós-produção – o longa é o primeiro lançamento da IHC (International House of Cinema), produtora independente que investiu recursos totalmente próprios para o projeto sair do papel. Além do Lucas Estevan Soares, que se dividiu entre os papéis de diretor e protagonista, a equipe manteve o mesmo posicionamento, abraçando diferentes funções para o filme ser gravado.

A produção de guerrilha, no entanto, não impactou negativamente na competência técnica do filme. Em 2022, Coração de Neon recebeu prêmios no Festival de Moscou, no Festival Internacional de Houston e no FestCine Pedra Azul.

Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça

Nos anos 60, um grupo de cineastas brasileiros fez história por criar uma “terceira via” entre o filme chanchada, inspirado nas produções hollywoodianas, e o cinema sério, pouco acessível para a população na época. O gênero foi chamado de Cinema Novo, feito por cineastas que driblaram o orçamento reduzido com liberdade criativa e senso crítico. O principal intuito era levar para as salas de exibição títulos que realmente representassem a cultura nacional e o que estava acontecendo no país.

Mais de seis décadas depois, o Coração de Neon foi apontado como um exemplo do novo cinema popular brasileiro em Cannes. Segundo a produtora executiva Rhaissa Gonçalves, a referência contemporânea é em virtude de o longa seguir as táticas de guerrilha do Cinema Novo: uso de recursos próprios e uma equipe multidisciplinar enxuta para produzir um filme de boa qualidade técnica.

Coração de Neon alçou o novo cinema popular brasileiro também por atender a diferentes públicos: do espectador que gosta de deixar a sala de exibição com questionamentos em mente ao perfil que utiliza o cinema como uma válvula para escapar do mundo real. Em todos os casos, o longa cumpre o seu papel de entreter e levar para as telas do mundo a realidade do brasileiro.

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