O dia em que a Relespública tocou no Rock in Rio, em 2001

16 de fevereiro de 2022

(Foto: Barbara Browne/acervo de Fabio Elias)

(por Guilherme Mattar)

Em 12 de janeiro de 2001, o rock paranaense viveu um momento histórico. A Relespública tocou no Rock in Rio, numa apresentação transmitida para mais de 50 países – muito antes de a internet virar o fenômeno multicultural que é hoje.

Em entrevista bem-humorada ao Papo de Mattar, em 2020, o guitarrista e cantor Fabio Elias relembrou a ocasião, e contou algumas curiosidades acerca do show – como a “travada” que sentiu na hora de tocar e o porquê de subir ao palco todo de branco.

Confira:

“Era o dia mais MPB, mais paz e amor. O que tinha mais de rock era o Sting. (…) Abertura do Rock in Rio. A gente era a terceira banda que ia tocar na Tenda Brasil.

“Lá no camarim, tomando uísque, ficamos conversando com Edgard Scandurra, Lee Marcucci, Arnaldo Antunes, Cássia Eller… todo mundo se juntou, ali. A gente tomou todas no camarim, foi mó legal. Uma festa.”

As duas primeiras atrações do dia, lembrou Fabio, tiveram de performar ainda com portões fechados, porque a organização segurou a entrada das pessoas para a televisão mostrar a expectativa do público para entrar no evento.

“E fomos os loucos lá, tocar. Eu peguei, pluguei minha guitarra no amp daquele jeito, pensando ‘puta merda, vamo tocar pra ninguém aqui no Rock in Rio, que sacanagem…’. E pensando também nos caras que tocaram antes da gente. A gente ia se foder igual.

“Afinando a minha guitarra no amp, de costas pro público, de repente só ouço um ‘FODEEEEEU!!!’. Olhei pra trás: abriram a porteira e estourou a boiada, bem na hora que a gente ia começar. Só falaram: ‘vai aí, Reles, toca aí essa porra!’ Cara… A descarga de adrenalina em mim… Todo mundo tava emocionado, lógico. Mas foi uma coisa tão grande… Nunca senti isso na minha vida.

“Eu tava fazendo um acorde desses, tipo um lá com sétima (um acorde com pestana, complicado de fazer por usar todos os dedos e tal) e a mão travou na posição. Eu não conseguia mexer. Não conseguia movimentar o braço, a mão, a porra toda. Fiquei travado. Catatônico. E os caras gritando: ‘Vai! Vai!’

“Acho que foi o Kako [Louis, vocalista da Reles naquele período] que me deu um encontrão: TUM! Ombro com ombro. E eu destravei. Aí começou a música. Coisa do além, velho. Foi uma emoção muito foda, mesmo. Um negócio inexplicável. Nunca tinha acontecido comigo de travar dessa forma, de não conseguir mexer um músculo do corpo. É muita adrenalina, lá.

“A DirecTV, na época, tava transmitindo o Rock in Rio. ‘Agora, com vocês, Relespública pra 53 países, via DirecTV!’. Nosso show transmitido pra 53 países, sabe o que é isso? É muito mais do que tocar no Rock in Rio, mano. É muito mais do que qualquer coisa que eu já consegui na vida. (…) A internet não era que nem hoje. Não existia isso. Era 20 anos atrás, cara.

“Sempre que me lembro, me emociono e fico gaguejando. Acho que todo artista, todo mundo que monta uma banda, roqueiro… Todo cara que pega uma guitarra, um baixo, uma batera e um microfone na mão deveria sentir isso uma vez na vida. (…) Foi um divisor de águas na minha carreira artística.

“Eu lembro que tava todo de branco – camisa branca, calça branca, sapato branco, chapéu branco Panamá. Pensei: ‘cara, vou tocar no Rio de Janeiro, na terra do Moreira. Ele acabou de morrer. Vou fazer uma homenagem!’. Comprei uma indumentária de Moreira da Silva [sambista falecido em junho de 2000] só pra tocar no Rock in Rio.”

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Exemplo:
Artista: Neil Young
Música: Rockin' In The Free World
#Esse som é muito marcante pra mim porque foi o primeiro que rolou na minha programação.

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