Jovens Ateus revela como surgiu a banda e celebra abertura para o New Order
23 de julho de 2026
Em entrevista exclusiva à Mundo Livre FM, a banda de Maringá relembra a origem do grupo, comenta o sucesso de Vol. 1, fala sobre as influências que moldaram sua sonoridade e projeta os próximos passos da carreira.

Antes de subir ao palco do Basement Cultural, em Curitiba, os integrantes Guto Beck e João Manuel, da banda Jovens Ateus, passaram pelos estúdios da Mundo Livre FM para uma conversa sobre a trajetória do grupo, que rapidamente se tornou um dos principais nomes da nova geração do pós-punk brasileiro.
Durante a entrevista, os músicos relembraram o surgimento da banda ainda no período da pandemia, falaram sobre as influências que moldaram sua identidade sonora, explicaram como nasceu a parceria com a Balaclava Records e comentaram a expectativa para abrir o aguardado show do New Order no Brasil.
“Nunca teve um convite. A banda simplesmente surgiu.”
Apesar do reconhecimento conquistado nos últimos anos, o Jovens Ateus nasceu de forma bastante despretensiosa.
Segundo João Manuel, a intenção inicial era apenas gravar algumas músicas. A química entre os integrantes acabou transformando o projeto em uma banda.
“Nunca foi uma parada de fazer uma banda. A ideia era gravar uma música. A gente foi ficando muito amigo e aí a banda surgiu. Nunca teve um convite.”
Guto Beck lembra que o encontro entre os músicos aconteceu naturalmente, quando todos começaram a compartilhar referências musicais semelhantes.
“A gente fez o primeiro ensaio só para ver se ia rolar. Naquele momento eu pensei que a gente poderia chegar longe.”
“Não tem como fazer esse tipo de som sem lembrar dessas bandas brasileiras.”
Questionados sobre as comparações frequentes com nomes históricos do pós-punk nacional, os integrantes afirmaram que enxergam essas influências como parte inevitável da identidade do gênero.
Embora nunca tenham buscado reproduzir diretamente bandas como Legião Urbana, Ira! ou os grupos da cena paulista dos anos 1980, eles reconhecem a importância desses artistas para quem faz esse tipo de música em português.
“Não tem como fazer esse tipo de som sem lembrar dessas bandas brasileiras. Elas acabaram criando a base do pós-punk nacional.”
Ao mesmo tempo, os músicos também citaram referências internacionais frequentemente associadas ao grupo.
“É muito comum compararem a gente com Joy Division. Como guitarrista, realmente existem elementos que acabam aparecendo naturalmente.”
“Foi uma sequência de sorte de encontros casuais.”
Um dos momentos decisivos para a carreira da banda aconteceu quando o produtor Roberto Kramer, da Balaclava Records, ouviu o material que eles preparavam para lançar.
O álbum Vol. 1 já estava praticamente finalizado quando surgiu a oportunidade de regravar todo o trabalho utilizando melhores recursos de produção.
“Foi uma sequência de sorte de encontros casuais. A gente encontrou o Roberto, mostrou o material e tudo aconteceu muito naturalmente.”
Segundo os músicos, o disco ganhou uma nova dimensão após a parceria.
“A gente regravou tudo, usou outros elementos e sabia que tinha muita coisa para acrescentar ao resultado final.”
“É uma oportunidade imensa para crescer.”
Pouco depois do lançamento do álbum, veio outra notícia que mudou o momento vivido pelo grupo: o convite para abrir o show do New Order no Brasil.
A reação foi de surpresa.
“Foi inacreditável. A gente passou dias sem acreditar que aquilo estava acontecendo.”
Para eles, dividir o evento com um dos maiores nomes da história do pós-punk representa uma oportunidade de alcançar um público completamente novo.
“É uma oportunidade imensa para crescer e mostrar o nosso trabalho para pessoas que talvez nunca tenham ouvido a banda.”
Os integrantes também destacam que esse tipo de experiência costuma representar um divisor de águas para artistas em ascensão.
“A galera do hardcore criou esse termo de ‘mosh triste’.”
Embora muitos associem o Jovens Ateus ao termo “mosh triste”, os músicos revelam que a expressão não surgiu dentro da própria banda.
Segundo eles, o apelido foi criado pelo público que frequentava seus primeiros shows ao lado de grupos ligados à cena hardcore.
“A gente nem criou esse termo. Foi a galera do hardcore que começou a chamar assim e a gente adorou.”
Eles explicam que essa aproximação acabou criando um contraste curioso entre as letras melancólicas e a energia dos shows.
“A gente transitou bastante nesse meio e acabou agregando um público que gosta de agitar bastante durante as apresentações.”
“A gente nunca parou de criar.”
Mesmo vivendo um dos melhores momentos da carreira, o Jovens Ateus já trabalha em novas músicas.
Os integrantes revelaram que o processo de composição acontece praticamente de forma contínua, facilitado pelo método de gravação utilizado pela banda.
“A gente nunca parou de criar. Como usamos bateria eletrônica, fica muito fácil gravar remotamente e trocar ideias.”
Segundo eles, já existe material suficiente para um novo lançamento.
“Estamos organizando tudo e quem sabe ainda saia um single este ano. Já estamos testando algumas músicas novas ao vivo.”
O grupo também confirmou que uma das composições inéditas poderá aparecer já na abertura do show do New Order.