Primeira propaganda da Starlink traz LCD Soundsystem e vira assunto no Super Bowl, entenda o por que
10 de fevereiro de 2026
A relação entre James Murphy e seus fãs sempre transbordou para além da música. Em 2022, o LCD Soundsystem aceitou o convite da Bored Ape Yacht Club para tocar no ApeFest, uma festa restrita aos compradores dos NFTs dos macacos entediados. A banda que celebrou a cultura indie no início dos anos 2000 deu, naquele momento, um aceno aos cripto‑entusiastas e ao universo tecnológico que cerca o movimento NFT. Dois anos depois, essa proximidade com o mundo tech voltou aos holofotes durante a transmissão do Super Bowl LX.
O estádio do Super Bowl recebeu o primeiro comercial de televisão da SpaceX. O anúncio de 30 segundos promovia o serviço de internet via satélite Starlink e tinha como trilha a faixa “Oh Baby” (2017), do LCD Soundsystem. O vídeo prometia “internet rápida e acessível” em qualquer lugar do mundo, enquanto imagens de foguetes decolando, cenas espaciais e paisagens naturais acompanhavam os sintetizadores melancólicos da canção.
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A escolha de “Oh Baby” não foi a primeira incursão da banda em campanhas publicitárias. Em 2013, o grupo cedeu “Someone Great” para um comercial do smartwatch Galaxy Gear da Samsung. Mais recentemente, em 2024, a agitada “Daft Punk Is Playing at My House” embalou anúncios do eBay. A presença no Super Bowl, porém, colocou a banda no centro de uma discussão sobre o limite entre licenciamento de músicas e a associação com figuras controversas.
O dono da SpaceX, Elon Musk, tornou‑se tema de debates após seu nome aparecer em e‑mails divulgados nos arquivos de Jeffrey Epstein. Em 2012, Musk escreveu ao criminoso sexual condenado perguntando “qual será o dia/noite da festa mais louca na sua ilha?”. Em outra mensagem, enviada na madrugada de Natal, ele disse estar trabalhando até o limite da sanidade e que, assim que os filhos voltassem para casa, queria “curtir a noite em St Baits ou em outro lugar”, recusando a ideia de uma experiência tranquila na ilha.
As trocas de mensagens levaram o empresário a publicar uma declaração no X, rede social que administra e que está sendo investigada após o bot de IA Grok ter sido usado para gerar imagens sexuais não consensuais. Musk afirmou que pressionou pela liberação dos arquivos e que teve pouca correspondência com Epstein, recusando convites para visitar a ilha ou viajar no “Lolita Express”. Ele ressaltou que alguns e‑mails poderiam ser mal‑interpretados, mas que o foco deveria ser a punição de quem cometeu crimes graves.
Para muitos fãs, a associação com a Starlink extrapola o debate sobre publicidade. Nas redes sociais, usuários relembraram a participação do LCD Soundsystem no ApeFest e criticaram a escolha de licenciar “Oh Baby” para um bilionário envolvido em escândalos. Comentários em fóruns apontaram que “todos os seus heróis pegam o cheque” ou que licenciar músicas para anúncios de carros seria aceitável, mas “não para um nazista legítimo”, evidenciando o tom indignado de parte do público.
A controvérsia evidencia como, em 2026, o licenciamento de canções deixou de ser apenas uma estratégia de renda para músicos. Quando a música entra em comerciais de gigantes da tecnologia, ela carrega consigo debates sobre criptomoedas, plataformas de IA e condutas éticas de executivos. Ao permitir que suas faixas soem em eventos ligados a NFTs e campanhas de bilionários investigados, o LCD Soundsystem se coloca, voluntariamente ou não, na linha de fogo dessa conversa.