Ritchie Blackmore volta ao Deep Purple após 33 anos em reencontro que pode ser histórico
12 de agosto de 2026
Guitarrista fará participação especial no bis do show do Deep Purple em Nova York nesta quarta-feira (12), em sua primeira apresentação com a banda desde 1993.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
Ritchie Blackmore deve voltar ao palco com o Deep Purple nesta quarta-feira (12), em Wantagh, Nova York, pela primeira vez desde 1993. Aos 81 anos, o guitarrista anunciou que fará uma participação especial no bis do show realizado no Northwell at Jones Beach Theater, em um reencontro que encerra mais de três décadas sem dividir o palco com a banda que ajudou a fundar.
A participação foi revelada pelo próprio Blackmore durante uma transmissão ao vivo no Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night, na terça-feira (11). Segundo o guitarrista, a ideia surgiu em uma conversa com Ian Gillan e recebeu posteriormente a aprovação dos integrantes do Deep Purple. A apresentação, porém, foi planejada para durar apenas uma música.
Ritchie Blackmore procurou Ian Gillan para fazer apenas uma música
O reencontro partiu do próprio Ritchie Blackmore, que entrou em contato com Ian Gillan para sugerir uma participação rápida durante o bis. O guitarrista brincou ao contar que enviou seu “pombo-correio com inteligência artificial” ao vocalista, que atualmente vive em Portugal.
A proposta era simples: subir ao palco, tocar uma única música e deixar o passado de lado por alguns minutos. Gillan gostou da ideia, levou a sugestão aos demais integrantes e recebeu o sinal verde.
Blackmore também deixou claro que não pretende transformar a participação em um retorno permanente ao Deep Purple. A intenção, segundo ele, é tocar uma música “para relembrar os velhos tempos”.
A escolha da faixa ainda não havia sido oficialmente anunciada antes do show. “Highway Star”, porém, está descartada, já que a música aparece na abertura do atual repertório da banda.
O reencontro acontece 33 anos depois da última apresentação
Blackmore deixou o Deep Purple em 1993, encerrando uma relação que havia começado ainda nos primeiros anos da banda e que foi fundamental para definir o som do grupo.
O guitarrista participou de alguns dos trabalhos mais importantes da história do Deep Purple, incluindo In Rock, Machine Head e Made in Japan. Seu estilo, baseado em riffs pesados, improvisação e elementos de música clássica, tornou-se parte central da identidade do grupo.
Depois da saída definitiva, Blackmore voltou sua atenção para projetos diferentes. Reativou o Rainbow, lançou Stranger in Us All em 1995 e realizou uma nova série de apresentações com a banda em 2016. No mesmo período, consolidou o trabalho com Blackmore’s Night, projeto dedicado à música renascentista e medieval ao lado de Candice Night.
A última vez que Blackmore e o Deep Purple tocaram juntos, portanto, permanece sendo 1993. O intervalo entre aquela apresentação e o show desta quarta-feira ultrapassa três décadas.
Blackmore vai dividir espaço com Simon McBride
O reencontro também terá um detalhe particularmente simbólico: Blackmore não será o guitarrista responsável pelo show. A posição atualmente pertence a Simon McBride, que assumiu a função após a saída de Steve Morse.
O próprio Blackmore reconheceu a qualidade de McBride durante a transmissão, embora tenha brincado com a diferença entre os equipamentos dos dois guitarristas. Ele afirmou que levaria um amplificador pequeno e esperava conseguir competir com os grandes amplificadores utilizados pelo atual integrante do Deep Purple.
McBride está no grupo desde 2022 e também participou do álbum SPLAT!, lançado pelo Deep Purple em julho de 2026. O disco representa a fase atual da banda, enquanto a participação de Blackmore recupera, por uma única música, uma formação associada a alguns dos capítulos mais importantes do rock britânico.
A volta acontece em um momento delicado para Blackmore
A apresentação ganha peso adicional porque Ritchie Blackmore passou por um período de limitações físicas que afetou diretamente sua atividade nos palcos.
O guitarrista revelou que enfrenta problemas nas costas, incluindo quatro hérnias de disco, além de artrite e gota. Ele também sofreu um forte episódio de vertigem no fim de 2025, situação que contribuiu para o cancelamento de compromissos do Blackmore’s Night.
Para conseguir permanecer em pé durante o show, Blackmore afirmou ter recebido uma aplicação de esteroide na região lombar. Ele também pretende deixar um banco disponível no palco caso precise utilizá-lo durante a apresentação.
A proximidade geográfica ajudou a tornar o reencontro possível. Blackmore e Candice Night vivem em Long Island, e o local do show fica relativamente próximo da residência do guitarrista. A participação, portanto, não exige o tipo de viagem que poderia tornar uma aparição desse tipo mais complicada para o músico.
Por que esse reencontro com o Deep Purple é tão significativo?
A importância da apresentação está menos na possibilidade de um retorno definitivo e mais no que ela representa historicamente.
Blackmore e Gillan formaram, ao lado de Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, uma das formações mais influentes do hard rock. Foi essa configuração que gravou trabalhos como In Rock e Machine Head e ajudou a estabelecer uma linguagem que posteriormente influenciaria o heavy metal.
O relacionamento entre Blackmore e Gillan também foi marcado por conflitos ao longo das décadas. O guitarrista não participou, por exemplo, da cerimônia de entrada do Deep Purple no Rock and Roll Hall of Fame, em 2016.
Agora, aos 81 anos, Blackmore decidiu procurar justamente Gillan para propor um reencontro. A dimensão histórica está no fato de que os dois podem voltar a dividir um palco depois de 33 anos, ainda que por apenas uma música.
Por enquanto, não há indicação de que a participação represente uma reunião permanente ou uma nova fase do Deep Purple com Blackmore. O que existe é algo mais pontual: um guitarrista que passou décadas afastado da banda decidiu voltar ao palco por alguns minutos, ao lado de antigos companheiros, “para relembrar os velhos tempos”.
É justamente essa limitação que torna o momento potencialmente tão especial. Se a apresentação acontecer como planejado, a história do Deep Purple ganhará uma nova imagem: Ritchie Blackmore novamente com a guitarra em mãos, ao lado de Ian Gillan, 33 anos depois de sua última apresentação com a banda.