Criador do Rock in Rio revela os critérios que definem o lineup do evento
10 de junho de 2026
Roberto Medina explica como streaming, legado artístico e conexão entre gerações influenciam a escolha das atrações.

Montar o lineup do Rock in Rio envolve muito mais do que reunir os artistas mais populares do momento. Em entrevista recente ao canal Toca UOL, o fundador do festival, Roberto Medina, detalhou alguns dos fatores que orientam a curadoria do evento, considerado um dos maiores festivais de música do mundo. Segundo o empresário, além dos números de streaming e do sucesso comercial, entram na equação aspectos como relevância cultural, alcance geracional e o potencial de transformar um show em um acontecimento histórico.
Desde sua criação em 1985, o Rock in Rio se consolidou como um dos principais palcos da música ao vivo no planeta. Ao longo de mais de quatro décadas, o festival recebeu nomes que marcaram diferentes épocas da cultura popular, de artistas clássicos do rock a fenômenos contemporâneos do pop. Para Medina, algumas atrações ultrapassam a condição de músicos de sucesso e se tornam símbolos de uma era, algo que pesa diretamente nas decisões de programação.
Os critérios de Roberto Medina para montar o lineup do Rock in Rio
Ao comentar o processo de seleção das atrações, Medina revelou acompanhar plataformas como Spotify e rankings de consumo musical para entender quais artistas estão mobilizando o público. No entanto, ele destacou que os dados não são suficientes para definir uma escalação.
O empresário afirmou que busca artistas com capacidade de dialogar com diferentes faixas etárias ao mesmo tempo. Essa característica, chamada por ele de “transversalidade”, ajuda a explicar por que o festival frequentemente combina nomes históricos com artistas em ascensão. O objetivo é criar uma programação capaz de atrair públicos distintos sem perder a identidade do evento.
Essa lógica também ajuda a entender a presença recorrente de artistas considerados referências culturais. Nomes como Frank Sinatra, Elton John e Rolling Stones foram citados por Medina como exemplos de artistas que representam mais do que sucessos musicais, tornando-se personagens centrais da história da música popular.
Outro aspecto importante destacado pelo fundador do festival é a experiência coletiva proporcionada pelo evento. Para ele, muitos espectadores não comparecem apenas para assistir a uma apresentação específica, mas para participar de um momento cultural que poderá ser lembrado durante anos.

Rock in Rio 2026 reforça mistura entre legado e novas gerações
A edição de 2026 reflete claramente a filosofia defendida por Medina. O lineup reúne artistas veteranos, fenômenos do streaming e representantes de diferentes gêneros musicais. Entre os destaques estão Foo Fighters, Elton John, Maroon 5, Calvin Harris, Stray Kids, Demi Lovato, Twenty One Pilots e Avenged Sevenfold.
A presença de artistas ligados ao K-pop, ao trap, ao pop contemporâneo e ao rock clássico mostra como o festival busca acompanhar as mudanças no consumo musical sem abandonar seu histórico de grandes atrações internacionais. Essa estratégia tem ajudado o evento a permanecer relevante para diferentes gerações de fãs.
Além dos shows, o Rock in Rio continua investindo em experiências paralelas, espaços temáticos e novas tecnologias de palco, fatores que ampliam seu alcance nas redes sociais e fortalecem sua presença em plataformas digitais. Em uma época marcada pelo TikTok e pelo consumo fragmentado de conteúdo, o festival mantém sua capacidade de gerar repercussão muito além dos dias de evento.
Com a edição de 2026 já totalmente anunciada, o Rock in Rio segue apostando em uma fórmula que combina tradição e renovação. As declarações de Roberto Medina ajudam a entender como o festival equilibra tendências de mercado e relevância cultural para construir uma programação capaz de reunir públicos distintos em torno da música ao vivo.