Rodolfo Abrantes durante entrevista à Mundo Livre FM falando sobre a volta do Rodox após 22 anos.

Rodolfo Abrantes: “O único culpado pelo fim do Rodox era a nossa imaturidade”

24 de julho de 2026

Em entrevista exclusiva à Mundo Livre FM, Rodolfo Abrantes fala sobre o fim do Rodox, reflete sobre os 22 anos que separaram a banda dos palcos, comenta o amadurecimento dos integrantes, explica como o carinho do público tornou o reencontro possível e celebra a nova turnê, que passa pelo Paraná em agosto.

Rodolfo Abrantes durante entrevista à Mundo Livre FM falando sobre a volta do Rodox após 22 anos.
Crédito: Reprodução/YouTube

Rodolfo Abrantes conversou com a Mundo Livre FM sobre um dos reencontros mais aguardados do rock brasileiro. O retorno do Rodox marca uma nova fase na trajetória de Rodolfo Abrantes e do Rodox, mais de duas décadas após o encerramento da banda.

Durante a entrevista, o músico falou sobre como a resposta do público tornou inevitável a volta da banda, refletiu sobre o amadurecimento dos integrantes ao longo dos últimos 22 anos, comentou a dificuldade de enquadrar o Rodox em um único rótulo e também destacou a forte ligação que mantém com o Sul do Brasil, região onde vive desde 2002.

“Parecia um sonho que a gente não esperava viver.”

Segundo Rodolfo, a reunião do Rodox aconteceu de forma completamente natural. O primeiro sinal veio durante a turnê solo Microfonia Tour, quando algumas músicas da banda passaram a integrar o repertório.

A reação do público chamou a atenção do músico e rapidamente deu início a um movimento espontâneo nas redes sociais pedindo a volta da formação original.

“Quando a gente tocava Rodox nos shows, a energia era diferente. Começou aquele burburinho, a hashtag ‘Volta Rodox’, e eu percebi que aquilo ainda estava muito vivo nas pessoas.”

O momento decisivo aconteceu durante um show no Hangar, quando Rodolfo convidou o guitarrista Fernando Schaefer para tocar algumas músicas da banda.

“Foi uma catarse. Mais do que a reação do público, foi ver o sorriso do Fernando. Depois daquele dia eu pensei: vou ter que dar um jeito de isso acontecer.”

A partir dali começaram os contatos com os demais integrantes da formação original, culminando na retomada oficial do grupo.

“O principal foi que a gente mudou.”

Questionado sobre as diferenças entre o fim do Rodox, no início dos anos 2000, e a atual fase da banda, Rodolfo afirma que a maturidade foi determinante para que o reencontro acontecesse.

Segundo ele, o tempo permitiu que todos refletissem sobre os erros do passado e compreendessem melhor o significado que o Rodox possui para cada integrante.

“O único culpado que a gente encontrou era a gente mesmo. Era a nossa imaturidade. Acho que nem a gente sabia exatamente o que o Rodox era naquela época.”

Hoje, apesar dos caminhos profissionais completamente diferentes seguidos pelos músicos, existe uma compreensão muito maior sobre convivência e respeito.

“A gente aprendeu a abraçar as nossas diferenças. O Rodox virou uma aula de convivência e isso só fortaleceu a nossa amizade.”

“Nunca quisemos caber dentro de um rótulo.”

Outro assunto abordado durante a entrevista foi a maneira como o Rodox sempre foi associado a diferentes definições ao longo da carreira.

Para Rodolfo, embora sua conversão ao cristianismo tenha acontecido pouco antes da criação da banda, a proposta nunca foi produzir músicas confessionais, mas sim composições que falassem sobre transformação, coragem e esperança.

“Eu queria falar da minha fé, mas ainda não tinha a bagagem para escrever músicas confessionais. A linguagem do Rodox acabou sendo muito mais abrangente.”

Segundo ele, as canções sempre buscaram transmitir mensagens capazes de dialogar com qualquer pessoa, independentemente de religião.

“A gente falava sobre superar os medos, enfrentar desafios, acreditar na vida e desejar aquilo que traz luz para o ambiente. É muito difícil alguém ser contra isso.”

Rodolfo acredita que o passar do tempo permitiu que essas músicas fossem assimiladas de maneiras diferentes pelo público.

“Esses mais de vinte anos fizeram as pessoas digerirem essas canções e encontrarem um lugar para elas dentro da própria vida.”

“O Sul é o lugar que eu escolhi para viver.”

Além da nova turnê, Rodolfo também falou sobre sua relação especial com a região Sul do país, onde mora desde 2002.

O músico lembra que passou anos viajando constantemente por cidades como Curitiba e destaca a forte tradição do rock na região.

“A cultura do Sul é muito rock’n’roll. Sempre fui recebido com muito carinho por aqui.”

Filho de nordestinos, nascido em Brasília e casado com uma gaúcha, ele afirma que encontrou em Santa Catarina o lugar onde decidiu construir sua vida.

“Eu não escolhi onde nasci, mas pude escolher onde viver. E escolhi o Sul.”

Rodox passa pelo Paraná em agosto

A segunda etapa da turnê Rodox Originals começa pelo Paraná e inclui apresentações em Paranaguá, Cascavel e Maringá.

Durante a conversa, Rodolfo aproveitou para convidar o público paranaense para os shows.

“Dia 1º de agosto estaremos em Paranaguá, dia 7 em Cascavel e dia 8 em Maringá. Quero ver todo mundo lá.”

Segundo o músico, a expectativa é que a nova fase do Rodox continue crescendo, impulsionada pelo carinho de antigos fãs e pela chegada de uma geração que descobriu a banda muitos anos depois do fim das atividades.

Confira a entrevista exclusiva abaixo:

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