Roger Waters diz que nova versão de Comfortably Numb será “profética”
28 de julho de 2026
Em entrevista, ex-Pink Floyd afirmou que espera que a releitura gravada com Mona Miari seja lembrada como uma obra “do lado certo da história”.

Roger Waters voltou a comentar a repercussão de “Comfortably Numb Re-Imagined”, releitura da clássica faixa do Pink Floyd lançada recentemente em parceria com a cantora palestina Mona Miari. Em entrevista à WIRED, o músico afirmou esperar que, no futuro, a canção seja lembrada como uma obra “profética” diante do conflito em Gaza e do debate internacional sobre direitos humanos.
A nova versão transforma o clássico de The Wall (1979) em uma interpretação de forte caráter político. Além de incluir versos inéditos cantados em árabe por Miari, a composição altera o refrão original para a frase “I will never become comfortably numb” (“Eu nunca me tornarei confortavelmente anestesiado”), reforçando a proposta da releitura.
Roger Waters explica a mensagem por trás de “Comfortably Numb Re-Imagined”
Durante a entrevista, Roger Waters afirmou que espera que a música seja encarada, daqui a alguns anos, como um registro de seu tempo.
Segundo o artista, a releitura representa uma posição clara diante dos acontecimentos em Gaza. Ele declarou que espera que o público reconheça a canção como “profética”, acrescentando que acredita haver um lado certo e um lado errado na situação e que a música estaria “do lado certo da história”.
A participação de Mona Miari ocupa papel central nessa nova leitura. Em um dos trechos inéditos, a cantora interpreta versos em árabe que abordam liberdade, esperança e reconstrução, enquanto a produção abandona o clima progressivo da gravação original para assumir um tom mais contemplativo ao longo de seus mais de nove minutos.
Ao comentar como gostaria que a faixa fosse lembrada no futuro, Miari afirmou que espera que, daqui a dez anos, os ouvintes possam escutá-la vivendo em uma Palestina livre e enxerguem a obra como um testemunho do que aconteceu e da urgência pela liberdade.
Waters rebate novamente acusações de antissemitismo
A entrevista também voltou a abordar as acusações de antissemitismo dirigidas ao músico ao longo dos últimos anos, intensificadas por sua defesa da causa palestina.
Questionado sobre as críticas, Roger Waters respondeu de forma direta, rejeitando as acusações. Em seguida, afirmou que nunca foi antissemita e declarou que sua atuação pública está voltada à defesa dos direitos humanos, independentemente da religião, nacionalidade ou origem das pessoas envolvidas.
O tema ganhou novo destaque recentemente após declarações do vocalista do Disturbed, David Draiman, que criticou Waters em entrevista ao podcast de Billy Corgan. O ex-baixista do Pink Floyd respondeu posteriormente por meio de uma carta aberta, reafirmando sua posição em defesa da igualdade de direitos para todos.
Nova interpretação amplia a história de um clássico do Pink Floyd
“Comfortably Numb” já havia recebido uma nova gravação de Roger Waters em 2022, durante o projeto The Lockdown Sessions. A versão lançada neste ano, porém, apresenta uma abordagem diferente ao incorporar a voz de Mona Miari e modificar parte da letra para refletir seu posicionamento político.
Enquanto Waters conduz a narrativa em inglês, Miari acrescenta versos próprios em árabe, transformando a música em uma colaboração inédita que dialoga diretamente com o contexto contemporâneo.
A releitura também chega em um momento em que o catálogo do Pink Floyd continua sendo reinterpretado por diferentes artistas. Recentemente, David Gilmour participou de uma nova versão da mesma composição ao lado da banda Body Count, mostrando como uma das canções mais conhecidas do grupo segue despertando novas leituras décadas após seu lançamento.