Sean Ono Lennon teme que a Geração Z se afaste dos Beatles e reforça compromisso com o legado de John Lennon
9 de janeiro de 2026
Sean Ono Lennon acendeu um alerta ao falar sobre a relação das novas gerações com a obra dos Beatles. Em entrevista ao programa CBS Sunday Morning, o músico afirmou temer que a Geração Z possa, sim, “esquecer” os Beatles — algo que, segundo ele, jamais imaginou considerar como possibilidade real até pouco tempo atrás.
Filho de John Lennon e Yoko Ono, Sean deixou claro que vê o legado dos pais como patrimônio cultural do mundo, mas reconhece que sente uma responsabilidade pessoal em mantê-lo vivo e relevante. Em um cenário de consumo musical cada vez mais fragmentado, guiado por algoritmos e tendências efêmeras, ele acredita que nenhuma obra está automaticamente protegida do esquecimento — nem mesmo a dos Beatles.
Questionado se realmente acha que isso pode acontecer, Sean foi direto: hoje, ele considera essa hipótese real. Para o músico, a velocidade com que a cultura pop se renova e a forma como os jovens descobrem música exigem novas estratégias para que mensagens e obras históricas continuem circulando.
Ainda assim, Sean evita tratar o tema como um fardo. Pelo contrário. Ele afirma que seu envolvimento com projetos ligados ao legado de John e Yoko nasce da gratidão. “Meus pais me deram tanto que acho que é o mínimo tentar honrar o legado deles durante a minha vida”, declarou, reforçando que esse cuidado vai além da fama ou da preservação de uma marca artística — trata-se de memória, afeto e responsabilidade histórica.
Um dos exemplos mais recentes dessa atuação é o curta-metragem de animação WAR IS OVER! Inspired by the Music of John & Yoko, vencedor do Oscar em 2023. A produção revisita a mensagem de “Happy Xmas (War Is Over)” sob uma nova linguagem, pensada justamente para alcançar públicos que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de John Lennon.
Para Sean Ono Lennon, esse tipo de iniciativa funciona como uma ponte entre gerações. Não substitui discos, livros ou arquivos históricos, mas cria portas de entrada. Em um mundo onde a memória cultural disputa atenção com novidades constantes, ele acredita que manter os Beatles vivos exige ação — agora, e não apenas como celebração do passado, mas como diálogo com o presente.