Tom Morello anuncia morte da mãe, Mary Morello, ativista anticensura, aos 102 anos
13 de julho de 2026
Educadora e defensora da liberdade de expressão, Mary Morello teve papel marcante no ativismo político e cultural dos Estados Unidos.

Tom Morello anunciou a morte da mãe, Mary Morello, aos 102 anos, em uma publicação nas redes sociais no domingo (12), poucos dias depois de cancelar os compromissos finais de sua turnê europeia para permanecer ao lado dela durante a piora de seu estado de saúde.
Na publicação, o músico prestou uma breve homenagem. “Mary Morello está para sempre com os Rebeldes da Luz e da Canção. (1923-2026)”, escreveu. A mensagem recebeu manifestações de carinho de fãs e artistas, entre eles Shirley Manson, vocalista do Garbage, que destacou a influência e o legado de Mary.
Mary Morello marcou a luta contra a censura na música
Embora fosse conhecida por acompanhar a carreira do filho, Mary Morello construiu uma trajetória própria como educadora e ativista. Em 1987, fundou o grupo Parents for Rock and Rap, criado em resposta às campanhas conduzidas pelo Parents Music Resource Center (PMRC), organização que defendia restrições e sistemas de classificação para músicas consideradas ofensivas.
A iniciativa reuniu pais favoráveis à liberdade artística e se tornou uma das vozes mais conhecidas na oposição às tentativas de censura que atingiam artistas de rock, rap e outros gêneros musicais nos Estados Unidos durante os anos 1980.
Antes disso, Mary também desenvolveu uma carreira acadêmica. Em 1954, concluiu um mestrado em História da África e da América Latina pela Loyola University Chicago. Nos anos seguintes, lecionou inglês na Alemanha, no Peru e no Japão, experiência que incluiu uma viagem ao redor do mundo a bordo de um cargueiro.
Influência política e pessoal na vida de Tom Morello
Entre 1960 e 1963, Mary viveu no Quênia, onde se casou com Ngethe Njoroge, ativista pela independência do país e, posteriormente, diplomata queniano nas Nações Unidas. O casal teve Tom Morello em 1964 e se separou no ano seguinte.
Ao longo da vida, Mary participou de diferentes movimentos sociais ligados aos direitos civis e ao combate à discriminação. Em entrevista ao The New York Times em 2021, o guitarrista afirmou que a atuação da mãe em causas como o movimento anticolonial africano, o combate ao apartheid sul-africano, o apoio a trabalhadores rurais e a pessoas em situação de vulnerabilidade teve influência direta na formação de suas convicções políticas.
Essa herança também ficou evidente na trajetória artística de Tom Morello, cuja obra à frente do Rage Against the Machine, Audioslave e em sua carreira solo frequentemente aborda temas ligados à justiça social, desigualdade e direitos humanos.
Nos últimos dias, o músico havia interrompido sua agenda de shows para acompanhar a mãe durante a internação. Após o anúncio de seu falecimento, fãs, colegas da música e personalidades públicas prestaram homenagens nas redes sociais, reconhecendo a importância de Mary tanto por sua atuação no ativismo quanto pela influência exercida sobre um dos guitarristas mais conhecidos do rock contemporâneo.
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