“O Acústico do Ira! atraiu um público que não era do rock”, diz Nasi
19 de junho de 2026
Vocalista afirma que o projeto aproximou a banda de ouvintes de MPB e ampliou seu alcance para além do público tradicional do rock.

O álbum Acústico MTV do Ira! segue como um dos trabalhos mais populares da banda e, segundo Nasi, seu impacto foi além das vendas e da repercussão na época do lançamento. Em entrevista à Mundo Livre FM, o músico afirmou que o projeto ajudou a atrair ouvintes que tradicionalmente não acompanhavam rock nacional.
Atualmente em turnê celebrando o repertório do disco, o cantor relembrou como as versões desplugadas ampliaram o alcance do Ira! e aproximaram a banda de um público que até então estava distante de guitarras pesadas, distorções e solos característicos do gênero.
O público que o Ira! não esperava conquistar
Ao comentar a recepção do projeto, Nasi destacou que o Acústico acabou alcançando perfis de ouvintes diferentes daqueles que tradicionalmente acompanhavam a banda.
“Acho que um público diferente que a gente pegou foi um público não roqueiro”, afirmou.
Segundo ele, parte desse sucesso veio da forma como as músicas passaram a ser percebidas quando apresentadas em arranjos mais enxutos.
“Pessoas que gostam de MPB”, resumiu o cantor ao descrever esse novo grupo de ouvintes.
Nasi também observou que muitos desses fãs não tinham uma ligação direta com a estética mais tradicional do rock.
“Pessoas que não são afeitas a distorções, solos de guitarra”, explicou.
Para o vocalista, o resultado foi uma ampliação natural da audiência do Ira!, que passou a circular entre públicos de diferentes preferências musicais.
“A gente pegou um público muito de crossover também”, disse.
Quando o rock encontrou a MPB
Na avaliação de Nasi, o formato acústico aproximou as canções do Ira! de elementos associados à música popular brasileira.
“Pessoas que no Acústico veem uma coisa mais próxima da música popular brasileira”, afirmou.
A observação ajuda a explicar por que algumas composições da banda encontraram uma nova leitura quando foram apresentadas sem o peso habitual das guitarras elétricas. Canções que já possuíam forte apelo melódico passaram a ser percebidas sob outra perspectiva por parte do público.
Durante a entrevista, Nasi lembrou que muitas músicas do Ira! nasceram originalmente no violão antes de chegarem aos arranjos completos de estúdio. Para ele, esse aspecto contribuiu para a adaptação ao formato desplugado e para a identificação de ouvintes que normalmente não consumiam rock.
O cantor também destacou que o repertório da banda sempre teve espaço para baladas e construções melódicas que dialogam com outras vertentes da música brasileira.
O fenômeno dos Acústicos MTV no Brasil e no exterior
Nasi acredita que o sucesso do Acústico MTV do Ira! faz parte de um fenômeno maior que marcou a música nas décadas de 1990 e 2000. Inspirado no formato criado pela MTV nos Estados Unidos, o projeto ganhou força ao revelar uma faceta diferente de artistas conhecidos por apresentações elétricas e sonoridades mais pesadas.
“Isso não foi só para o Ira”, afirmou.
No exterior, nomes como Eric Clapton, Nirvana e Pearl Jam mostraram que canções associadas ao rock podiam ganhar novas interpretações quando apresentadas de forma mais intimista. No Brasil, o movimento teve impacto semelhante com artistas e bandas de diferentes estilos, incluindo Capital Inicial, Titãs, Cássia Eller e Paralamas do Sucesso.
Na sequência, o músico citou exemplos de grupos que também ampliaram seu público com o formato.
“Capital” e “Titãs”, lembrou.
Parte do apelo dos acústicos estava justamente na sensação de proximidade criada pelo formato. Sem a parede de guitarras distorcidas, os arranjos destacavam melodias, letras e nuances vocais que muitas vezes passavam despercebidas nas versões elétricas. Para muitos ouvintes, era uma oportunidade de enxergar os músicos sob uma nova perspectiva, mais humana e acessível.
Os discos acústicos lançados por grupos surgidos nos anos 1980 ajudaram a apresentar seus repertórios a novos ouvintes e mantiveram essas canções em circulação para além das rádios e da programação musical da época. Ao mesmo tempo, mostraram que composições originalmente associadas ao peso do rock podiam funcionar com violões, percussões suaves e arranjos mais delicados.
No caso do Ira!, o reflexo ainda pode ser percebido nos shows atuais. Duas décadas depois do lançamento do álbum, o repertório do Acústico MTV continua ocupando posição central nas apresentações da banda e segue atraindo públicos com diferentes referências musicais.
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