Oli Sykes explica por que o Bring Me The Horizon abandonou o deathcore e passou a explorar novos estilos musicais.

Oli Sykes explica por que o Bring Me The Horizon abandonou o deathcore e nunca mais repetiu um álbum

3 de agosto de 2026

Ao relembrar a mudança iniciada em Suicide Season, o vocalista do Bring Me The Horizon explicou por que a banda abandonou o deathcore para construir uma identidade própria, decisão que abriu caminho para a sonoridade híbrida que o grupo hoje chama de “cyber metal”.

Crédito da Foto: Reprodução/YouTube

Durante uma entrevista à apresentadora Esther Wang, do canal Estherini, Oli Sykes explicou por que o Bring Me The Horizon deixou para trás as raízes no deathcore e passou a explorar uma sonoridade que hoje mistura metal, música eletrônica, rock alternativo e elementos que a própria banda costuma associar ao chamado “cyber metal”.

Embora não seja um gênero formalmente reconhecido, “cyber metal” é o termo usado pela própria banda para definir sua fase atual, marcada pela mistura de metal, eletrônica, pop e elementos industriais.

Segundo o vocalista, a mudança não foi planejada para ampliar o público nem seguir tendências. Ela surgiu da necessidade de encontrar uma identidade musical própria depois do lançamento de Count Your Blessings (2006), álbum de estreia que, embora bem recebido na cena extrema, ainda refletia fortemente as influências do grupo.

A busca por um som próprio começou logo após o álbum de estreia

Ao recordar o início da carreira, Oli Sykes afirmou que o primeiro disco nasceu da vontade de reproduzir as bandas que inspiravam o quinteto britânico. Com o sucesso inicial, porém, veio uma pergunta que mudaria o rumo do grupo: o que realmente diferenciava o Bring Me The Horizon das demais bandas da cena?

O cantor explicou que, ao final do ciclo de Count Your Blessings, havia dezenas de grupos com uma sonoridade semelhante. Em vez de permanecer naquele espaço, os músicos decidiram buscar algo que pudesse ser reconhecido imediatamente como uma assinatura da banda.

Foi essa inquietação que levou ao desenvolvimento de Suicide Season (2008), trabalho que ampliou as influências do grupo e abriu caminho para todas as transformações sonoras que viriam nos anos seguintes.

A reação inicial dos fãs fez a banda acreditar que havia cometido um erro

A mudança não foi recebida de forma positiva no lançamento de Suicide Season. Segundo Oli Sykes, muitos fãs criticaram o disco logo na primeira semana, apontando semelhanças com o Slipknot e questionando a redução dos vocais extremos.

O vocalista admitiu que, naquele momento, chegou a acreditar que o Bring Me The Horizon havia comprometido a própria carreira. A percepção, no entanto, mudou rapidamente.

Com o passar dos meses, o álbum ganhou reconhecimento e se tornou um dos principais responsáveis por levar a banda a um novo patamar de popularidade. Para Sykes, aquele risco provou que seguir a própria visão artística era mais importante do que tentar atender às expectativas do público.

“Nunca escrevemos o mesmo álbum duas vezes”

A experiência definiu uma regra que permanece em vigor mais de duas décadas depois.

De acordo com Oli Sykes, “a única regra da banda é nunca fazer o mesmo álbum duas vezes”. A cada novo projeto, o objetivo é explorar novas referências, instrumentos e possibilidades criativas, sem repetir fórmulas que já funcionaram anteriormente.

O cantor também afirmou que deixou de se preocupar com a possibilidade de perder ouvintes sempre que o grupo muda de direção. Na avaliação dele, músicas criadas para agradar um público específico raramente produzem os melhores resultados.

Para o vocalista, a prioridade continua sendo compor aquilo que desperta entusiasmo dentro da própria banda. Se o trabalho for autêntico, acredita, inevitavelmente encontrará pessoas que compartilham da mesma conexão com aquelas músicas.

‘Count Your Blessings | Repented’ coloca a ideia em prática

A visão apresentada por Oli Sykes ajuda a explicar a constante evolução do Bring Me The Horizon, cuja discografia passou do deathcore ao metal alternativo, incorporando ao longo dos anos elementos eletrônicos, pop, industrial e outras experimentações que hoje compõem a identidade da banda.

Essa proposta também está presente em Count Your Blessings | Repented. Em vez de apenas remasterizar o álbum de estreia, o grupo decidiu reconstruí-lo, descrevendo o projeto como uma “reativação” e uma “recontextualização” da obra lançada em 2006. A escolha reforça o princípio defendido por Sykes de que a banda deve continuar evoluindo, sem transformar a própria discografia em uma fórmula.

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