Capa do novo álbum dos The Strokes Reality Awaits

The Strokes lança ‘Reality Awaits’, primeiro álbum de estúdio desde 2020

24 de julho de 2026

Sétimo disco da banda explora novas texturas, reforça a fase mais experimental de Julian Casablancas e marca o retorno do grupo após seis anos sem um álbum de inéditas.

Crédito: Capa do álbum Reality Awaits

Os The Strokes lançaram nesta sexta-feira (24) o aguardado Reality Awaits, primeiro álbum de estúdio da banda desde The New Abnormal (2020). Produzido por Rick Rubin, o trabalho reúne nove faixas e marca uma nova fase do grupo, que opta por ampliar sua abordagem experimental em vez de repetir a fórmula que recolocou seu nome entre os principais do rock alternativo nos últimos anos.

A recepção inicial do disco mostra um consenso raro: Reality Awaits dificilmente passa despercebido. Enquanto parte da crítica destaca a disposição da banda em explorar novas sonoridades, outra aponta que algumas escolhas de produção e interpretação acabam comprometendo a força de determinadas composições. O resultado é um álbum que tende a dividir opiniões, mas reforça a disposição do grupo em evitar caminhos previsíveis.

‘Reality Awaits’ amplia a experimentação dos The Strokes

Desde os primeiros singles, como Going Shopping e Falling Out of Love, já era possível perceber que o novo álbum seguiria uma direção diferente. O uso recorrente de processamento vocal em Julian Casablancas, combinado a arranjos mais eletrônicos e estruturas menos convencionais, tornou-se um dos aspectos mais debatidos do lançamento.

Essa abordagem aparece de maneiras distintas ao longo do disco. Em faixas como Lonely in the Future, os efeitos vocais dialogam com a atmosfera futurista da música e ajudam a construir sua identidade. Em outras, porém, parte da crítica considera que a produção acaba afastando o foco das melodias, tradicionalmente um dos pontos fortes da banda.

Ao mesmo tempo, a química entre os integrantes permanece evidente. As guitarras de Albert Hammond Jr. e Nick Valensi continuam funcionando como principal elemento de identidade do grupo, sustentadas pela base precisa de Fabrizio Moretti e Nikolai Fraiture.

Entre faixas marcantes e momentos menos inspirados

Mesmo entre avaliações bastante diferentes, algumas músicas aparecem com frequência entre os destaques do álbum. Dine N’ Dash é vista como uma das composições mais acessíveis do disco, aproximando o grupo do indie rock melódico que ajudou a consolidar sua reputação nos anos 2000.

Outras faixas, como Going to Babble On e The Fruits of Conquest, exploram diferentes facetas da banda sem abandonar completamente sua identidade. A primeira aposta em riffs mais diretos e um solo de guitarra de destaque, enquanto a segunda mistura groove, experimentação e uma interpretação vocal pouco convencional de Casablancas.

Já a abertura, Psycho Shit, e momentos como Liar’s Remorse figuram entre os trechos mais polarizadores do trabalho. Nessas músicas, a banda leva adiante uma proposta mais ousada, que para alguns amplia o alcance artístico do álbum, enquanto para outros sacrifica parte da objetividade das canções.

Um disco que evita repetir o passado

Depois do reconhecimento conquistado por The New Abnormal, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Rock, havia expectativa de que os The Strokes apostassem novamente em uma sonoridade mais direta. Em vez disso, Reality Awaits parece interessado em expandir elementos que Julian Casablancas já vinha explorando em seus projetos paralelos, especialmente com os The Voidz.

Essa escolha faz com que o álbum soe menos imediato do que parte da discografia recente da banda. Ainda que nem todas as experiências atinjam o mesmo resultado, o disco demonstra uma intenção clara de evitar a repetição de fórmulas já consolidadas.

No conjunto, Reality Awaits entrega alguns dos momentos mais interessantes da fase recente dos The Strokes, mas também evidencia que a busca por novas possibilidades pode produzir um álbum menos uniforme. É justamente esse equilíbrio entre acertos e riscos que tem colocado o lançamento entre os discos de rock mais discutidos da semana.

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