Interpol lança novo álbum, ‘This Mirror Weighs a Ton’, e surpreende ao flertar com um som diferente
28 de agosto de 2026
O oitavo álbum da banda é o primeiro com Brad Truax como integrante oficial e aposta em sintetizadores, cordas, madeiras e um sound design diferenciado, sem abandonar a identidade atmosférica que marcou o som do Interpol.
Crédito da Foto: Divulgação/Elliot Lee Hazel
O Interpol lançou nesta sexta-feira (28) This Mirror Weighs a Ton, seu oitavo álbum de estúdio e primeiro trabalho desde The Other Side of Make-Believe, de 2022. O disco também inaugura a parceria da banda com a gravadora Partisan Records e traz Brad Truax, baixista que acompanhava o grupo em turnês há anos, como integrante oficial.
Produzido por Andrew Wyatt, conhecido por seu trabalho com Miike Snow e por colaborações com artistas como Mark Ronson, Lady Gaga e Liam Gallagher, o álbum tenta ampliar a paleta sonora do Interpol com sintetizadores, cordas, madeiras e elementos de sound design.
‘This Mirror Weighs a Ton’ mostra um Interpol menos previsível
A faixa-título é o melhor exemplo dessa tentativa. Com loops de bateria irregulares, sintetizadores atmosféricos e bastante espaço entre os elementos, a música apresenta uma abordagem mais minimalista e experimental para o habitual pós-punk da banda.
O restante do disco, porém, mantém os pés firmes no território conhecido. See Out Loud e Wings on Fire retomam os riffs tensos de Daniel Kessler, enquanto Enemy aposta em piano, percussão pesada e na participação vocal de Juliet Seger-Banks, esposa de Paul Banks.
A voz grave de Banks continua sendo o centro da produção. A diferença está nos arranjos que a cercam, com Wyatt acrescentando camadas eletrônicas e orquestrais sem desmontar completamente a estrutura tradicional do grupo.

A reflexão por trás do título
Banks explicou que o título do álbum está ligado ao peso da autorreflexão. O tema aparece também nas letras, que percorrem imagens de destruição, soldados, montanhas em chamas e relações humanas atravessadas pela tecnologia.
Em Iron City, o Interpol chega a tocar na relação entre seres humanos e inteligência artificial, enquanto Bird and the Serpent encerra sua narrativa com um arranjo orquestral e uma das frases mais mordazes do disco.
O resultado é um álbum que busca mudança sem romper com o passado. O Interpol não abandona a fórmula que consolidou sua identidade nos anos 2000, mas introduz elementos suficientes para tornar This Mirror Weighs a Ton um de seus trabalhos mais interessantes da fase posterior à saída de Carlos Dengler.
A banda também chega ao lançamento em plena atividade ao vivo, depois de apresentações em festivais como Coachella, Mad Cool e All Points East. A agenda de 2026 ainda inclui shows nos Estados Unidos, Canadá e Europa.