Pearl Jam na época do lançamento de Ten, álbum que completa 35 anos em 2026

Pearl Jam: ‘Ten’ completa 35 anos e continua sendo um dos discos que definiram o rock dos anos 90

27 de agosto de 2026

Lançado em 27 de agosto de 1991, o álbum de estreia transformou uma banda de Seattle em fenômeno mundial e deixou clássicos como “Alive”, “Even Flow”, “Jeremy” e “Black” no repertório definitivo do rock.

Crédito da Foto: Reprodução/Capa do álbum Ten

O Pearl Jam lançou Ten há exatamente 35 anos, em 27 de agosto de 1991. O álbum vendeu mais de 13 milhões de cópias nos Estados Unidos e colocou uma banda recém-formada em Seattle no centro da explosão do rock alternativo dos anos 1990.

A história, porém, começou antes de Eddie Vedder entrar no grupo. Após a morte de Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone, Stone Gossard e Jeff Ament retomaram as composições. Uma fita instrumental chegou a San Diego pelas mãos de Jack Irons, ex-Red Hot Chili Peppers, e acabou nas mãos de Vedder, então vocalista do Bad Radio.

Como Eddie Vedder entrou no Pearl Jam

Vedder escreveu letras e melodias para três músicas da fita e enviou o material de volta a Seattle. “Alive”, “Once” e “Footsteps” formavam uma narrativa interligada e impressionaram Gossard, Ament e Mike McCready. O vocalista foi convidado para uma audição e se mudou definitivamente para Seattle em dezembro de 1990.

A banda, ainda chamada Mookie Blaylock, começou então a registrar as músicas que formariam Ten, produzido por Rick Parashar. “Alive” guarda uma das histórias mais curiosas das sessões: a versão do álbum aproveitou uma demo anterior, porque o grupo não conseguiu reproduzir a mesma intensidade durante as gravações oficiais. O solo de McCready foi acrescentado posteriormente.

O guitarrista revelou uma das principais referências por trás daquele momento:

“Meu solo em ‘Alive’ é baseado em ‘She’, que por sua vez é baseada em ‘Five to One’, do The Doors.”

A ligação com o rock clássico ajuda a explicar por que Ten nunca coube perfeitamente na definição de grunge.

O Pearl Jam não queria transformar Ten em produto

À medida que “Alive”, “Even Flow” e “Jeremy” ganhavam espaço nas rádios e na MTV, a Epic Records pressionava por novos singles. A banda, porém, recusou transformar “Black” em uma peça promocional.

Eddie Vedder foi direto sobre o assunto:

“Algumas músicas simplesmente não foram feitas para serem tocadas entre o segundo e o terceiro lugar nas paradas. Se você começar a fazer isso, vai acabar com a música. Não foi para isso que escrevemos. Não escrevemos para fazer hits.”

Mesmo sem lançamento comercial como single nos Estados Unidos, “Black” chegou ao terceiro lugar da parada Mainstream Rock da Billboard em 1993.

A postura também refletia uma preocupação maior. Jeff Ament explicou que o grupo queria preservar a diversidade do disco:

“Não queríamos ficar estereotipados. Queríamos que o disco fosse tão diverso quanto pudesse ser.”

Ten alcançou o segundo lugar da Billboard 200 em 1992 e permaneceu 261 semanas na parada em sua passagem original. Ao lado de Nevermind, do Nirvana, ajudou a colocar Seattle no centro do rock mundial.

35 anos depois, Ten ainda não cabe em uma etiqueta

O próprio Vedder resumiu a particularidade daquele som décadas depois:

“Não era tanto grunge rock quanto era groove rock. (…) Era uma coisa diferente.”

A percepção também apareceu em quem estava fora da banda. Dave Grohl, que havia chegado a Seattle com o Nirvana, lembrou sua primeira impressão ao ouvir “Alive”:

“Aquilo soava como classic rock para mim. Aquilo não soava como punk rock para mim; soava como uma banda de rock ’n’ roll clássico.”

É justamente essa combinação que ajuda a explicar a permanência de Ten. O álbum nasceu no ambiente que seria chamado de grunge, mas absorveu hard rock, rock clássico, melodias pop e uma identidade própria. Trinta e cinco anos depois, “Alive”, “Even Flow”, “Jeremy” e “Black” continuam entre as gravações que melhor representam a transformação do rock no início dos anos 1990.

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