Músicas criadas por IA ficam fora das paradas da Austrália após polêmica com Madonna
27 de agosto de 2026
Nova regra da ARIA entra em vigor nesta sexta-feira e exclui faixas feitas majoritariamente por inteligência artificial, enquanto Spotify prepara identificação de artistas que não são pessoas reais.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
A Austrália decidiu colocar um limite claro para a presença da inteligência artificial nas paradas musicais. A partir desta sexta-feira (28), músicas geradas integralmente por IA não poderão disputar posições nas ARIA Charts, principal ranking fonográfico do país. A regra considera elegíveis apenas gravações substancialmente criadas por humanos e sem indícios de manipulação de streams ou das próprias paradas.
A mudança acontece depois da polêmica envolvendo uma versão de Like a Prayer, clássico de Madonna, lançada pelo DJ australiano Josh Fawaz. A faixa chegou ao topo das rádios australianas e passou a ser questionada por suposto uso de inteligência artificial na produção. Fawaz posteriormente adicionou créditos de IA à gravação, identificando o uso de vocais e bateria gerados pela tecnologia.
O que muda nas paradas musicais da Austrália
A nova regra da ARIA não proíbe músicos de utilizar inteligência artificial. Ferramentas generativas continuam permitidas quando exercem uma função secundária no processo criativo. O problema está nas gravações em que a IA responde pela totalidade ou pela maior parte dos elementos criativos.
A associação também ganhou poder para retirar uma faixa das paradas mesmo depois de sua entrada, ajustar posições, retirar certificações e até revogar um prêmio de número 1. Uma música considerada inelegível também não poderá concorrer ao ARIA Award. Artistas e representantes poderão contestar uma exclusão apresentando evidências sobre como a gravação foi produzida.
A presidente-executiva da ARIA, Annabelle Herd, resumiu a posição da entidade: “As paradas sempre serão uma medida transparente da música que a Austrália consome, mas uma parada que recompense produção de IA sem licença enfraqueceria a própria base da música gravada que existimos para representar.”
O caso de Madonna colocou o problema no topo das paradas
O caso de Like a Prayer mostrou por que a discussão deixou de ser apenas tecnológica. A música alcançou enorme exposição nas rádios australianas enquanto produtores e outros profissionais questionavam a presença de elementos gerados por IA. Em julho, Fawaz passou a indicar oficialmente créditos de “vocais generativos de IA” e “bateria de IA” no Spotify.
A questão agora é quem deve receber o reconhecimento quando uma gravação chega ao topo: o artista que a apresenta, o produtor que a conduz ou a tecnologia que gerou parte significativa do resultado.
Spotify também começa a separar artistas reais de personas de IA
A mudança australiana acompanha uma movimentação maior da indústria. O Spotify anunciou que começará a exibir, a partir de meados de setembro, o selo “AI Persona” em perfis cuja identidade artística seja identificada como gerada por inteligência artificial. A plataforma também afirma que, por padrão, essas personas não entrarão em recomendações editoriais ou algorítmicas.
A diferença é importante: o selo do Spotify identifica quem está por trás do perfil, não necessariamente como a música foi produzida. Um artista humano que utiliza IA em seu processo criativo não será automaticamente classificado como uma “AI Persona”.