“O Agente Secreto” faz história no Globo de Ouro 2026 e marca noite inédita para o cinema brasileiro
12 de janeiro de 2026
O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo (11). O Agente Secreto venceu dois dos três prêmios a que concorria no Globo de Ouro 2026, tornando-se o primeiro filme brasileiro a conquistar duas estatuetas em uma mesma edição da premiação.
O longa venceu nas categorias Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura que também fez história ao se tornar o primeiro ator brasileiro a vencer a categoria de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro.
Em entrevista à TV Globo logo após a cerimônia, Wagner resumiu o momento com emoção: “É uma emoção retada.”
Até então, o melhor desempenho brasileiro no Globo de Ouro havia sido dividido. Em 1999, Central do Brasil venceu como Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, mas Fernanda Montenegro acabou não levando o prêmio de atriz. Já em 2025, Ainda Estou Aqui garantiu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama para Fernanda Torres, mas não venceu nas outras categorias em que foi indicado. Em 2026, o cenário mudou.
Um filme sobre memória, trauma e valores
Ambientado nos anos 1970, “O Agente Secreto” acompanha a história de um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula, mesmo sabendo dos riscos que corre em plena ditadura militar. O personagem de Wagner Moura vive em constante tensão, atravessado por silêncio, vigilância e perdas — elementos que estruturam o filme como um retrato íntimo de um trauma coletivo.
Ao subir ao palco para receber o prêmio, Wagner fez questão de destacar o significado da obra: “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que, se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis.”
Em português, ele completou: “E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora: viva o Brasil e a cultura brasileira.”
Na disputa, Wagner superou nomes como Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).
Reconhecimento internacional e retorno simbólico
O segundo prêmio da noite veio com a vitória de “O Agente Secreto” como Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, categoria que o Brasil não vencia havia 27 anos, desde Central do Brasil. A atriz Minnie Driver, responsável pelo anúncio, abriu a leitura com um “parabéns” em português, arrancando aplausos da plateia.
Ao receber o troféu, o diretor Kleber Mendonça Filho mandou um “alô, Brasil”, agradeceu ao elenco e destacou a parceria com Wagner Moura, “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo.”
Kleber também dedicou o prêmio aos jovens cineastas e reforçou a importância do momento histórico, “Este é um momento muito importante para fazer filmes, no Brasil e nos Estados Unidos. Vamos continuar fazendo filmes.”