Anika Nilles revela como estudou Neil Peart para tocar com o Rush em nova turnê
12 de junho de 2026
Baterista alemã contou como precisou mergulhar no repertório do Rush e adaptar seu método de estudo para encarar o legado deixado por Neil Peart.

Assumir a bateria de uma das bandas mais influentes da história do rock progressivo não é uma tarefa fácil. Em entrevista recente ao produtor e músico Rick Beato, a baterista Anika Nilles explicou como se preparou para integrar a nova fase do Rush ao lado de Geddy Lee e Alex Lifeson. Segundo ela, o processo exigiu uma imersão na obra do trio e uma mudança radical em sua forma habitual de aprender músicas.
Embora seja reconhecida internacionalmente por sua técnica aguçada e criatividade na bateria, Nilles admitiu que não possuía um conhecimento aprofundado do catálogo do Rush antes de receber o convite. Isso a levou a estudar estruturas musicais das canções, e também a compreender a linguagem criada ao longo de décadas por Neil Peart, considerado uma das figuras mais influentes da história da bateria.
Como Anika Nilles mergulhou no universo do Rush
Ao comentar sua preparação para os ensaios, Anika explicou que passou semanas consumindo tudo o que encontrava relacionado ao grupo. Além de ouvir discos, ela assistiu a apresentações ao vivo, entrevistas e registros históricos para compreender melhor a identidade musical construída por Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart.
Segundo a baterista, seu método tradicional de estudo precisou ser adaptado. Em vez de confiar principalmente em anotações técnicas, ela optou por absorver as músicas por repetição e memorização auditiva. A estratégia surgiu da percepção de que as composições do Rush envolvem elementos difíceis de registrar apenas em partituras, como nuances de dinâmica, intenção e interpretação.
Essa abordagem reforça um aspecto frequentemente destacado pelos fãs da banda, de que a bateria de Neil Peart não era só um suporte rítmico para as canções. Seus fills, viradas e mudanças de acentuação ajudavam a conduzir a narrativa das músicas, se tornando parte essencial da identidade de clássicos como Tom Sawyer, YYZ e Subdivisions.
O legado de Neil Peart e a nova fase do Rush
A chegada de Anika Nilles acontece em um momento delicado e ao mesmo tempo decisivo para o Rush. Desde a morte de Neil Peart, em 2020, a possibilidade de ver Geddy Lee e Alex Lifeson dividindo novamente um palco parecia distante para muitos fãs. Qualquer retorno inevitavelmente seria acompanhado por uma ausência impossível de ignorar, já que Peart não era apenas o baterista da banda, mas uma de suas principais forças criativas.
Por isso, a presença de Anika tem despertado interesse dentro e fora da comunidade de fãs do grupo. Em vez de assumir o papel de substituta, a baterista parece encarar sua participação como uma forma de contribuir para que essas músicas continuem vivas em um novo contexto. A própria Nilles já reconheceu o peso emocional associado ao repertório do Rush, especialmente porque muitas das passagens criadas por Neil Peart se tornaram parte da memória afetiva de várias gerações de ouvintes.
Esse novo capítulo também apresenta Anika a um público mais amplo. Embora já fosse respeitada entre músicos e bateristas por seu trabalho autoral e pela presença constante nas redes sociais, tocar ao lado de Geddy Lee e Alex Lifeson a coloca diretamente em contato com uma das bases de fãs mais dedicadas da história do rock progressivo.
Confira também:
Rush retorna aos palcos após 11 anos e emociona fãs com homenagens a Neil Peart