Como Eddie se tornou parte essencial da identidade do Iron Maiden

6 de janeiro de 2026

A criação de Eddie, mascote do Iron Maiden, está diretamente ligada às transformações vividas pela banda ainda em seus primeiros anos. Antes de se tornar um dos símbolos mais reconhecíveis da história do heavy metal, a figura surgiu como uma solução prática e estética para preservar a teatralidade dos shows sem expor os próprios músicos.

Tudo começou durante a passagem de Dennis Wilcock, vocalista do grupo entre 1976 e 1978. Admirador declarado do Kiss, Wilcock levava ao palco performances teatrais, com encenações que incluíam cápsulas de sangue e truques de ilusionismo. Quando ele deixou a banda, os integrantes concordaram que o elemento visual era interessante para o público, mas não queriam assumir esse papel diretamente.

A solução encontrada foi criar um personagem que carregasse esse impacto cênico sem interferir na imagem dos músicos. Foi assim que Eddie nasceu.

Em entrevista o baixista Steve Harris explicou a decisão: “Tínhamos um vocalista que era muito fã do Kiss e costumava fazer encenações no palco. Quando ele saiu, pensamos que aquilo era legal para o público, mas não queríamos isso como parte da banda em si. Somos pessoas tímidas. Então Eddie cumpriu esse papel.”

Segundo Harris, a importância do mascote só foi percebida com o tempo. Em declaração à Classic Rock, em 2023, ele chegou a brincar que Eddie envelheceu melhor do que os próprios integrantes da banda.

Eddie como extensão da banda — sem ser a banda

Em 1983, o vocalista Bruce Dickinson definiu com clareza o papel do mascote. Para ele, Eddie representava tudo aquilo que o Iron Maiden não queria ser no palco.

Em entrevista à Enfer Magazine, Dickinson comparou a proposta do Maiden à de bandas excessivamente focadas na imagem: “Criamos o Eddie para ser o personagem, o palhaço, enquanto nós mantínhamos nossa identidade como músicos. Assim, o foco continua sendo a música.”

A ideia era simples: separar o espetáculo visual da identidade artística da banda, permitindo que o Iron Maiden fosse reconhecido pela execução musical sem abrir mão do impacto cênico.

A criação visual e a evolução do mascote

O visual de Eddie foi desenvolvido originalmente pelo ilustrador Derek Riggs, responsável por praticamente todas as versões do personagem até o início dos anos 1990. A partir daí, o mascote passou a ser redesenhado por equipes especializadas, ganhando novas formas e interpretações a cada álbum e turnê.

Eddie se tornou presença constante em capas de discos, cenários de palco, camisetas e materiais promocionais, assumindo um papel central na iconografia do heavy metal.

Celebrações dos 50 anos do Iron Maiden

Em 2024, o Iron Maiden iniciou na Europa a turnê comemorativa “Run for Your Lives”, celebrando 50 anos de carreira. O repertório da excursão foca exclusivamente no período que vai do álbum de estreia, lançado em 1980, até Fear of the Dark (1992).

Como parte das comemorações, a banda também prepara o lançamento do livro visual Iron Maiden: Infinite Dreams — A História Visual Oficial, previsto para chegar ao Brasil em 31 de outubro de 2025 pela editora Belas Letras, com tradução de Marcelo Vieira.

Além disso, um documentário comemorativo está em produção, em parceria com a Universal Pictures Content Group. O filme trará depoimentos dos próprios integrantes e de fãs notórios, incluindo Javier Bardem, Lars Ulrich e Gene Simmons, reforçando o impacto cultural do Iron Maiden ao longo de meio século.

Os Eddies mais marcantes dos palcos

Eddie Clássico Gigante (anos 80)

Aparece nas primeiras turnês, especialmente entre Iron Maiden e Killers.
Inflável ou mecânico, surgia no fim do show. Simples, assustador e fundacional.

Eddie Aviador – World Slavery Tour (1984–85)

Inspirado em Aces High.
Uniforme da RAF, às vezes acompanhado de um Spitfire cenográfico. Um dos Eddies de show mais icônicos de todos.

Eddie Faraó – World Slavery Tour (1984–85)

Talvez o Eddie de palco mais lendário da história.
Gigantesco, no topo da pirâmide, dominando o cenário inteiro.

Eddie Cristal/Místico – Seventh Tour of a Seventh Tour (1988)

Visual translúcido, quase sobrenatural.
Muito lembrado pela atmosfera épica e teatral.

Eddie Fear of the Dark – Fear of the Dark Tour (1992)

Versão viva do Eddie-assombração.
Surgia no escuro, muitas vezes iluminado de verde. Clássico absoluto dos anos 90.

Eddie Selvagem – Brave New World Tour (2000)

Marca o retorno de Bruce Dickinson.
Visual tribal, ameaçador, representando o “renascimento” da banda ao vivo.

Eddie Maia Gigante – The Book of Souls World Tour (2016–17)

Um colosso no palco.
Um dos maiores Eddies já construídos, dominando a cena durante vários momentos do show.

Eddie Samurai – Legacy of the Beast Tour (2018–22)

Mistura de eras: samurai, guerreiro e entidade mítica.
Cenografia absurda, com Eddie surgindo em momentos estratégicos do set.

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