Couro falso invade mercado de luxo com versões veganas feitas de cogumelo, abacaxi e cactos

13 de abril de 2023

Grifes de luxo como Stella McCartney, Hermès, Chanel e Hugo Boss estão entre as marcas que desenvolveram produtos com materiais veganos e mais sustentáveis. No Brasil, quando o material não é de origem animal, é proibido chamá-lo de couro.

Por Fernanda Berlinck, g1

Oficialmente, couro é a pele do animal tratada. Pela legislação brasileira é proibido vender, sob o nome de couro, produtos que não sejam obtidos exclusivamente de pele animal. A lei também impede o uso da palavra couro para denominar produtos que não sejam de origem animal.

Por isso, o uso de termos como couro ecológico, couro sustentável, couro vegano, couro vegetal ou couro sintético são proibidos por lei no Brasil.

Proibido o termo ou não, o mercado vegano produz, cada vez mais, opções de têxteis que se assemelham esteticamente ao couro para criar variedades menos nocivas ao meio ambiente e aos animais. E, claro, de olho no poder aquisitivo de quem não consome produtos de origem animal. Porém, é preciso reforçar que nem toda imitação de couro é necessariamente mais sustentável apenas por ser vegana.

Stella McCartney, estilista britânica e ícone fashion internacional, é uma das executivas do mundo da moda que defendem os direitos dos animais. Ela não usa couro e nem pele em suas coleções, e investe em materiais que sejam orgânicos e recicláveis. Há anos, ela mantém uma parceria com a Adidas e, juntas, as duas marcas desenvolvem produtos de origem 100% vegetal, como a versão do modelo de tênis Stan Smith (imagem acima), lançado por US$ 325 (aproximadamente R$ 1.600 na cotação atual).

A busca por alternativas sustentáveis chegou, inclusive, na marca francesa Hermès, que em 2021 lançou a versão do modelo de bolsa Victoria com um material semelhante ao couro, mas feito a partir de cogumelos (usado também por Stella McCartney).

A tecnologia que transforma cogumelos em tecidos é chamada de Mylo, e acontece a partir da cultivação do micélio, a parte vegetativa do fungo. O material foi desenvolvido pela startup Bolt Threads, que também já conquistou clientes como Kering (dona das grifes Gucci, Yves Saint Laurent, Bottega Veneta, Boucheron e Alexander McQueen), Adidas e Lululemon.

Além de cogumelos, o mercado internacional trabalha com tecidos de fibras de abacaxi, árvores, maçã, abacate, milho, cactus, entre outros. Uma das marcas mais conhecidas que desenvolve o tecido feito do abacaxi é a Piñatex, e o produto já foi usado, inclusive, em uma coleção de sapatos da Hugo Boss. O “couro” feito de abacaxi também já esteve em peças da Chanel, da Mango e da marca brasileira Insecta Shoes.

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