Dave Mustaine sugere turnê conjunta entre Megadeth e Metallica como forma de encerrar rivalidade histórica

21 de janeiro de 2026

A última estrada possível: por que uma turnê conjunta entre Megadeth e Metallica deixou de ser fantasia

A possibilidade de uma turnê conjunta entre Megadeth e Metallica voltou ao centro do debate do metal não como provocação nostálgica, mas como consequência direta do momento vivido por Dave Mustaine. Em entrevistas recentes, o músico deixou claro que dividir a estrada com James Hetfield e Lars Ulrich seria mais eficaz do que qualquer conversa privada para encerrar, de forma definitiva, uma das rivalidades mais emblemáticas da história do rock pesado.

A fala ganha outro peso quando observada à luz do que Mustaine revelou sobre o fim do Megadeth em estúdio. Com problemas de saúde progressivos, incluindo a contratura de Dupuytren na mão esquerda, o guitarrista decidiu que o 17º álbum da banda, Megadeth, será o último. Não por falta de ideias, mas por lucidez. Para ele, sair em alta é preferível a insistir até que o corpo impeça a execução do próprio legado. Ainda assim, Mustaine foi cuidadoso ao separar o fim dos discos do fim da estrada. O Megadeth continuará tocando. E é justamente nesse intervalo entre o “último álbum” e a “última turnê” que a ideia de um reencontro com o Metallica passa a fazer sentido real.

Convivência como fechamento de ciclo

Ao longo da conversa, Mustaine deixa claro que não enxerga mais a relação com o Metallica como uma disputa em aberto. O cover de “Ride the Lightning”, incluído no álbum final do Megadeth, não surge como revanche ou ironia, mas como gesto de respeito e fechamento simbólico. Ele próprio reconhece o valor da parceria inicial com Hetfield e Ulrich e admite que a mágoa histórica tornou qualquer retomada de amizade algo complexo, embora não impossível.

É nesse ponto que a turnê aparece como solução prática. Para Mustaine, dividir a estrada, conviver diariamente, compartilhar bastidores e palcos teria mais força do que encontros pontuais ou declarações públicas. A estrada, afinal, foi o lugar onde tudo começou e também onde os conflitos se cristalizaram. Reocupá-la juntos seria uma forma de ressignificar a própria história.

Há, evidentemente, obstáculos. O Metallica não costuma excursionar com a mesma intensidade do Megadeth, e a logística de unir duas estruturas desse porte não é trivial. Mas o contexto atual é diferente de qualquer outro momento anterior. Mustaine não fala a partir da urgência de provar algo, mas da consciência de que o tempo é finito. Sua fala não soa como cobrança, e sim como convite.

Para o metal como cultura, uma turnê conjunta não representaria apenas um evento histórico, mas um gesto raro de maturidade. Seria o reconhecimento de que o thrash metal nasceu do confronto, mas sobreviveu pela permanência. E que, quatro décadas depois, seus protagonistas podem escolher encerrar ciclos sem apagar feridas, apenas deixando de alimentá-las.

Se essa turnê acontecer, não será um acerto de contas nem uma celebração nostálgica vazia. Será, muito provavelmente, o último grande ritual público de dois pilares do metal dividindo o mesmo espaço. Não para reescrever o passado, mas para aceitar que ele já foi escrito. E que, às vezes, a melhor forma de encerrar uma história é voltar ao ponto onde tudo começou e seguir adiante, juntos, pela última vez.

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