“Eu não consigo ficar longe do palco”: Gene Simmons revela por que continua fazendo shows após o fim do KISS
24 de agosto de 2026
Mesmo depois da despedida do KISS, Gene Simmons segue na estrada e explica por que ainda não pensa em abandonar os palcos: “Eu amo demais”.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
Quase três anos depois do último show do KISS, Gene Simmons continua subindo ao palco. Em entrevista à rádio 94.7 WCSX, de Detroit, o baixista e vocalista explicou por que decidiu manter sua carreira ao vivo com a GENE SIMMONS BAND, apesar do encerramento da turnê de despedida End Of The Road.
Para Simmons, a decisão está menos relacionada a manter o nome do KISS em atividade e mais ao próprio prazer de fazer shows. Segundo o músico, tocar diante de uma plateia continua sendo uma das experiências mais divertidas de sua vida.
“Eu não consigo ficar longe do palco. Eu amo demais”, resumiu Gene Simmons.
A situação também tem um componente empresarial. Em 2024, a Pophouse adquiriu o catálogo musical, a marca, a imagem e a propriedade intelectual do KISS, em uma parceria que prevê novos projetos envolvendo a banda, incluindo uma produção biográfica, experiências temáticas e um espetáculo com avatares.
“Eu amo demais”: Gene Simmons explica por que não consegue abandonar os palcos
O ponto central da explicação de Gene Simmons é simples: para ele, uma música só cumpre plenamente sua função quando é compartilhada com outras pessoas.
Durante a entrevista, o músico comparou a situação à de um pintor que cria uma obra da qual se orgulha, mas a mantém escondida em casa. Também mencionou um compositor que escreve uma música de que gosta, mas nunca permite que ninguém a escute.
A mesma lógica, segundo Simmons, vale para os shows. Depois de décadas construindo uma das maiores máquinas de espetáculo da história do rock, ele não pretende abandonar justamente a parte que considera mais prazerosa.
A diferença é que agora ele pode fazer isso sem carregar toda a estrutura que acompanhava o KISS.
Gene Simmons revela o que mudou longe da gigantesca estrutura do KISS
A formação atual da GENE SIMMONS BAND reúne Simmons no baixo e nos vocais, Jason Walker na guitarra e vocais, Brian Tichy na bateria e vocais e Brent Woods na guitarra.
O projeto funciona com uma estrutura muito mais enxuta que a do KISS. Em outra entrevista, ao Whittier Daily News, Simmons explicou que não há empresário ou uma grande equipe de estrada. A banda simplesmente chega ao local e toca, com equipamentos fornecidos ou alugados localmente pelo contratante.
Essa configuração também permite uma liberdade que seria difícil dentro da estrutura do KISS. O repertório pode mudar de acordo com o ambiente, incluindo pedidos da plateia. Simmons citou Tush, do ZZ TOP, como exemplo de uma música que pode surgir espontaneamente durante uma apresentação.
O músico também pretende aproveitar a liberdade para tocar material do KISS que nunca entrou no repertório da banda, além de possíveis músicas que sequer foram gravadas oficialmente.
Outro elemento é a interação direta com o público. Simmons afirmou que pode convidar pessoas da plateia para subir ao palco e tocar caso perceba que elas têm condições de acompanhar a banda.
Fim do KISS? Gene Simmons mostra que ainda tem muito rock para entregar
A continuidade da carreira solo também ajuda a entender a diferença entre o fim do KISS como banda física e o futuro comercial da marca.
A apresentação final do grupo aconteceu em 2 de dezembro de 2023, no Madison Square Garden, em Nova York. No encerramento, os integrantes foram substituídos no palco por versões digitais de seus personagens, antecipando o projeto de avatares desenvolvido com a Pophouse.
Em 2024, a Pophouse confirmou a aquisição do catálogo, do nome, da imagem e dos direitos de propriedade intelectual associados ao KISS. O acordo também incluiu os designs das pinturas faciais utilizadas pelos integrantes.
Isso ajuda a explicar por que Simmons trata sua banda solo como uma alternativa para continuar tocando. O KISS possui uma identidade visual e uma propriedade intelectual que agora estão inseridas em uma estrutura empresarial mais ampla. Já Gene Simmons pode continuar apresentando sua própria versão do rock ao vivo com uma formação independente.
A própria Pophouse descreve atualmente o KISS como uma marca cujo catálogo, nome e imagem estão sob sua gestão, enquanto o projeto de show com avatares segue em desenvolvimento.
“Posso ganhar mais”: Gene Simmons compara banda solo com o KISS
Existe ainda uma razão financeira para a escolha.
Em uma participação no podcast Steve-O’s Wild Ride!, em 2024, Simmons explicou que estruturou a banda solo para funcionar com custos muito menores que os de uma produção do KISS. Em vez de viajar com dezenas de profissionais, caminhões, ônibus e equipamentos próprios, ele chega ao local e utiliza a estrutura contratada pelo promotor.
Segundo o músico, essa operação permite que ele fique com uma parcela muito maior do valor de cada apresentação. Simmons chegou a afirmar que pode ganhar mais por show com a GENE SIMMONS BAND do que ganhava individualmente no KISS, quando são desconsideradas receitas adicionais relacionadas à antiga banda.
A lógica é bastante diferente daquela que sustentou o espetáculo do KISS durante décadas. O grupo construiu sua reputação justamente por transformar cada apresentação em uma produção de grande escala, com cenários, efeitos, figurinos e uma enorme equipe técnica.
Agora, Simmons parece preferir o extremo oposto: menos estrutura, mais liberdade e contato direto com o público.
Para um músico que passou mais de cinco décadas associado a um dos maiores espetáculos do rock, continuar tocando sem a máquina do KISS pode ser justamente a maneira mais simples de preservar aquilo que, segundo ele, nunca deixou de importar: estar no palco.