Gorillaz transforma luto em reinvenção sonora no ambicioso “The Mountain”

27 de fevereiro de 2026

Depois de mais de duas décadas de trajetória, o Gorillaz parecia enfrentar uma encruzilhada criativa. Em Cracker Island (2023), o projeto criado por Damon Albarn e o ilustrador Jamie Hewlett deu sinais de dispersão: convidados fortes demais, identidade menos evidente. Era preciso recalibrar.

O novo álbum, The Mountain, lançado nesta sexta-feira (27), surge como resposta direta a esse momento. E nasce de uma experiência pessoal profunda. Albarn e Hewlett perderam seus pais em um curto intervalo de tempo e viajaram à Índia durante o período de luto. O contato com outra visão cultural sobre morte e memória acabou moldando o conceito do disco.

Um álbum habitado por fantasmas

Com 66 minutos de duração, The Mountain incorpora vozes e contribuições de artistas que já colaboraram com o grupo e que hoje não estão mais vivos. Entre eles, Proof, Trugoy the Dove, o baterista nigeriano Tony Allen, o ator Dennis Hopper, o vocalista Mark E. Smith e o cantor soul Bobby Womack.

A proposta poderia soar excessivamente nostálgica ou dependente das participações. Mas Albarn contorna esse risco ao estabelecer um eixo sonoro consistente, fortemente inspirado na música clássica indiana. O álbum conta com colaborações de Anoushka Shankar, Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, que ajudam a dar unidade à obra.

Banda de singles ou banda de álbuns?

Ao final da audição, fica a sensação de ter acompanhado uma obra pensada como conjunto. Isso levanta uma questão antiga: o Gorillaz sempre foi reconhecido por singles de impacto imediato, como “Clint Eastwood”, “Feel Good Inc.” e “Stylo”. Em The Mountain, a força não está necessariamente em um hit isolado, mas na construção do percurso.

The Mountain não tenta recriar o passado. Ele dialoga com ele — inclusive com aqueles que já não estão aqui — e transforma memória em matéria-prima artística. Em um momento de perda pessoal, Albarn e Hewlett encontraram uma maneira de seguir em frente sem apagar as marcas do que ficou.

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