Morre Valentino Garavani, ícone da alta-costura e arquiteto do glamour italiano, aos 93 anos
20 de janeiro de 2026
O estilista Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em Roma. A informação foi confirmada por meio de um comunicado oficial da Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti. Com sua morte, encerra-se um dos capítulos mais influentes da moda do século 20, marcado pela consolidação de uma ideia de elegância que atravessou décadas, gerações e fronteiras.
Fundador da maison Valentino, Garavani foi responsável por cristalizar uma estética associada ao glamour romântico, à feminilidade sofisticada e ao luxo absoluto. Sua importância histórica é frequentemente destacada por publicações especializadas como Harper’s Bazaar e W Magazine, que creditam ao estilista a construção da percepção moderna da elegância italiana no cenário global.
Valentino foi retratado como “o último imperador” no documentário Valentino: The Last Emperor, definição que sintetiza não apenas sua autoridade estética, mas também o modo como transformou o papel do costureiro em figura central da cultura visual contemporânea. Sua assinatura tornou-se presença constante em tapetes vermelhos, eventos diplomáticos e casamentos da alta sociedade, estabelecendo um padrão visual reconhecível e duradouro.
Da formação francesa à consagração em Roma
Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino decidiu ainda jovem seguir carreira na moda, inspirado pelo impacto visual dos figurinos do cinema clássico de Hollywood. A base técnica que sustentaria sua obra, no entanto, foi construída em Paris, onde estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture, além de trabalhar como aprendiz nas casas de Jean Dessès e Guy Laroche.
O retorno à Itália, em 1959, marcou o início de sua trajetória autoral. Em Roma, abriu seu estúdio na Via Condotti e conheceu Giancarlo Giammetti, parceiro de negócios e de vida. A dupla estruturou a maison que estrearia oficialmente em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, apresentação que projetou Valentino imediatamente no circuito internacional e consolidou a marca como sinônimo de luxo italiano.
A estética desenvolvida por Garavani foi descrita pela crítica como ultra-feminina, precisa e teatral na medida exata. Linhas limpas, chiffon, laços, flores e o contraste rigoroso entre preto e branco formaram um vocabulário visual próprio. No centro desse repertório está o célebre “Valentino red”, tom que transcendeu a noção de cor para se tornar símbolo de glamour noturno e de uma feminilidade poderosa e idealizada.
Essa visão fez de Valentino o estilista de confiança de figuras centrais do jet set internacional, incluindo Jackie Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor e Sophia Loren, além de integrantes da realeza europeia. O estilo de vida do costureiro, cercado por palácios, festas e iates, ajudou a mitificar a própria figura do couturier e a expandir a maison para o prêt-à-porter e acessórios sem diluir sua narrativa de exclusividade.
Mesmo após sua aposentadoria, o legado de Valentino seguiu vivo sob a direção criativa de nomes como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que reinterpretaram os códigos do fundador para um público contemporâneo. A morte de Valentino Garavani não encerra apenas uma carreira exemplar, mas marca o fim de uma era em que a alta-costura era, acima de tudo, um gesto de poder simbólico, beleza absoluta e permanência cultural.
via Portal G1