Pan-Americano de Escalada de Velocidade em Curitiba coloca atletas contra o relógio em prova de menos de 5 segundos
18 de agosto de 2026
Primeiro Pan-Americano da modalidade será realizado nos dias 22 e 23 de agosto, reunindo atletas das Américas e nomes de destaque como Emma Hunt e Samuel Watson no Centro de Treinamento Olímpico de Escalada, no Cajuru.
Crédito da Foto: Divulgação/Aline Machado — Rachel Uezu, atual recordista brasileira, estará entre os destaques do Brasil no Pan-Americano de Escalada de Velocidade, em Curitiba.
Uma parede de 15 metros, dois atletas e alguns dos poucos segundos mais intensos do esporte olímpico. É assim que funciona a escalada de velocidade, modalidade que terá seu primeiro Campeonato Pan-Americano da história em Curitiba nos dias 22 e 23 de agosto. A competição será realizada no Centro de Treinamento Olímpico de Escalada, no Parque Olímpico do Cajuru, e terá atletas de diferentes países das Américas.
O interesse em torno do evento não está apenas no ineditismo. A prova reúne alguns dos movimentos mais rápidos da escalada esportiva e chega ao Brasil em um momento de evolução dos atletas locais. Em 2026, Pedro Egg tornou-se o primeiro brasileiro a completar a via oficial abaixo dos seis segundos, enquanto Rachel Uezu estabeleceu o novo recorde nacional feminino.
Por que a escalada de velocidade é tão rápida?
Ao contrário do boulder e da escalada guiada, modalidades em que os atletas precisam solucionar diferentes problemas na parede, a escalada de velocidade utiliza uma via padronizada. Todos os competidores de alto nível enfrentam essencialmente o mesmo percurso, o que permite comparar tempos com precisão e estabelecer recordes mundiais.
A prova acontece em uma parede de 15 metros com inclinação negativa. Na competição, os atletas passam por uma fase classificatória e depois avançam para confrontos eliminatórios. Nas finais, dois competidores sobem simultaneamente em vias idênticas. Vence quem aciona primeiro o dispositivo no topo.
A padronização é justamente o que transforma a modalidade em uma disputa tão objetiva. Não há uma rota diferente para cada atleta nem espaço para uma estratégia baseada na escolha de agarras. O resultado depende de explosão muscular, coordenação, tempo de reação e precisão na execução de uma sequência de movimentos que precisa ser repetida praticamente no automático.
O resultado pode ser difícil de visualizar para quem nunca acompanhou a modalidade. Os melhores atletas masculinos já descem da casa dos cinco segundos, enquanto a atual recordista mundial feminina, Emma Hunt, estabeleceu em julho de 2026 a marca de 5,99 segundos. Foi a primeira vez que uma mulher completou a parede oficial de 15 metros em menos de seis segundos.
Emma Hunt chega a Curitiba depois de quebrar a barreira dos seis segundos
A presença de Emma Hunt dá ao Pan-Americano de Escalada de Velocidade um peso adicional. A norte-americana estabeleceu o recorde mundial de 5,99 segundos em Kraków, na Polônia, durante uma etapa da World Climbing Series. A marca derrubou o recorde anterior, de 6,03 segundos, que pertencia à campeã olímpica Aleksandra Mirosław.
Outro nome de destaque confirmado para a competição é Samuel Watson, também dos Estados Unidos. Medalhista de bronze na escalada de velocidade dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, Watson já esteve entre os principais responsáveis pela evolução dos tempos da modalidade nos últimos anos.
A escala internacional ajuda a explicar por que a primeira edição do Pan-Americano chega em um momento particularmente interessante. A escalada de velocidade ganhou uma vitrine inédita nos Jogos Olímpicos de Paris, quando passou a ter uma disputa própria por medalhas, separada das provas combinadas femininas e masculinas.
Em Curitiba, portanto, o público terá a oportunidade de acompanhar uma modalidade em que diferenças aparentemente pequenas no cronômetro podem determinar quem avança e quem fica pelo caminho.
Pedro Egg e Rachel Uezu mostram que o Brasil também acelerou
O Brasil não chega ao Pan-Americano de Escalada de Velocidade apenas como anfitrião. Os resultados de 2026 indicam uma evolução concreta dos atletas nacionais, especialmente na prova masculina.
Pedro Egg registrou 5,68 segundos durante uma competição internacional em Chamonix, na França, tornando-se o primeiro brasileiro a superar a barreira dos seis segundos na via oficial. O resultado colocou o país entre aqueles que já possuem atletas capazes de disputar tempos de alto nível internacional.
No feminino, Rachel Uezu estabeleceu o novo recorde brasileiro com 10,47 segundos, superando a marca anterior de 10,49 segundos, de Débora Albuquerque. A evolução é relevante porque a velocidade exige uma combinação específica de potência, coordenação e repetição técnica que depende de estrutura adequada de treinamento.
Curitiba passou a ocupar papel importante nesse processo. O Centro de Treinamento Olímpico de Escalada, instalado no Parque Olímpico do Cajuru, vem sendo utilizado para a preparação de atletas brasileiros e para competições nacionais. A estrutura também integra iniciativas de formação de novos competidores, incluindo o Programa Revelar Talentos.
A própria evolução dos tempos brasileiros ajuda a dimensionar o impacto dessa estrutura. Em entrevista ao Go Outside, Rachel Uezu apontou que o país ainda possui poucas paredes oficiais de velocidade, enquanto a CBEscalada relaciona a existência de um centro equipado em Curitiba ao avanço recente dos atletas nacionais.
O Pan-Americano chega, assim, em duas frentes. Para atletas como Hunt e Watson, será mais uma oportunidade de competir em alto nível continental. Para os brasileiros, será uma chance de medir diretamente sua evolução contra alguns dos principais velocistas das Américas.
A competição está marcada para 22 e 23 de agosto de 2026, em Curitiba. Segundo o calendário oficial da World Climbing, as qualificatórias de velocidade estão previstas para o dia 22, enquanto as finais masculina e feminina acontecem no dia 23.