Em julho de 1981, o AC/DC ouviu um estrondo vindo da sala ao lado e quis aquilo na música. O canhão que está no disco, porém, tem outra origem.
Crédito da Foto: Reprodução/Far Out
Em 29 de julho de 1981, o AC/DC tocava em Paris um trecho de música nova quando chegaram, do outro lado da parede, os canhões do casamento do Príncipe Charles com a Princesa Diana, transmitido pela televisão. De um lado, a pompa da monarquia britânica. Do outro, um guitarrista de 1,57 m que sobe ao palco de uniforme escolar.
“Alguém estava com o casamento ligado na sala ao lado”, contou Angus Young anos depois. “Tocávamos aquela parte quando os canhões dispararam, a gente parou um segundo e pensou: ‘Hmm, até que isso soa bem’.” A música era For Those About to Rock (We Salute You), faixa-título do disco que sairia em novembro daquele ano.
Só que os canhões que se ouvem no disco não são os de Londres. Os tiros definitivos foram gravados no mês seguinte, misturados a fogos de artifício, porque o caminhão de gravação da banda, o Mobile One, registrava o quarto disco solo de Peter Gabriel durante o casamento. A televisão deu a ideia, e o estampido que fecha os shows do AC/DC foi refeito depois.
Os tiros aparecem duas vezes. Na primeira, a música cala e só o estampido sobra. Na segunda, no final, Brian Johnson canta, Angus solta o solo e a cozinha sobe o volume com os canhões ao fundo. O som grudou na faixa a ponto de um canhão ilustrar a capa do álbum e a do compacto.
A frase que veio do Coliseu
O título também veio de uma leitura. Em fevereiro de 2021, numa conversa com Zane Lowe no Apple Music 1, Angus contou que o refrão saiu de um texto sobre gladiadores, e disse acreditar que o autor era Robert Graves.
Eu tinha lido aquilo e ele entrava num dia no Coliseu, ou em algum lugar de Roma, no que os gladiadores faziam. Pensei: isso pode servir. — Angus Young
A saudação em latim, Ave, Caesar, morituri te salutant, aparece em Suetônio, num episódio do ano 52 em que condenados saudaram o imperador Cláudio. Graves escreveu Eu, Cláudio, em 1934, mas Angus nunca disse que texto era.
A música nasceu das duas guitarras. Angus tinha “uma coisinha de guitarra”, a abertura que introduz a faixa, e Malcolm Young trazia a progressão de acordes. No refrão, travaram: o que cantar ali? Segundo Angus, Malcolm pensou de início: “Peraí, o que esse cara tá usando?”. Angus cantou o verso do começo ao fim, com o rock no lugar da morte, e a música engrenou.
O estampido que parou a banda
Desde a turnê do disco, em 1981 e 1982, a faixa fecha os shows do AC/DC, com canhões napoleônicos em tamanho real no palco. Em Paris, o estampido da televisão fez a banda parar por um segundo e gostar do que ouviu. Em 1984, num show na Europa, os tiros derrubaram o sistema de som várias vezes durante a música, e foi preciso parar de novo para consertar.ma de som várias vezes durante a música, e foi preciso parar de novo para consertar.
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