Sete livros dela circulam no Brasil e poucos leitores sabem por onde começar. Antes, vale saber o que a poeta respondeu quando a Academia Sueca ligou.
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Em 2016, a Academia Sueca deu o Nobel de Literatura a Bob Dylan, escolha que o New York Times inclui entre as mais inesperadas da história do prêmio. Nesta quinta-feira (8), o prêmio foi para a poeta canadense Anne Carson, de 76 anos. A notícia chegou a ela por telefone, e a resposta cabe em uma frase.
A secretária permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, contou que Carson soou “muito surpresa” e disse apenas que estava na Islândia, “ouvindo o vento”. Reservada, a autora raramente põe foto nas orelhas dos livros e fala pouco da vida pessoal. Em 2024, revelou na London Review of Books que tem Parkinson, que a doença desintegrou sua caligrafia e que passou a treinar boxe para aliviar os sintomas.
É dessa autora que a Academia fala ao citar uma obra “ousada e inventiva”. A justificativa de 2016 falava em novas expressões poéticas dentro da tradição da canção americana. A de 2026 fala em novas formas para a literatura contemporânea, em diálogo lúdico com a tradição clássica. Nos dois casos, o Nobel premia quem pegou uma herança e a reinventou. Carson faz isso com a Grécia antiga desde o ensino médio, quando achou que o grego era “a melhor língua”. Ela é a terceira canadense a vencer, depois de Saul Bellow, em 1976, e Alice Munro, em 2013.
Três portas de entrada para quem vem da música e do cinema
Autobiografia do vermelho, da Editora 34, é o livro mais famoso: um romance em versos de 1998 que transforma o monstro Gerião, do mito grego, num garoto sensível apaixonado por Héracles. O cantor e ator Olly Alexander contou ao Guardian que o livro mudou sua vida na adolescência.
Quem prefere cinema acha em Sobre aquilo em que eu mais penso, também da Editora 34, ensaios que põem Homero ao lado de Elizabeth Bishop e o diretor Michelangelo Antonioni ao lado de Longino. Já A beleza do marido, da Bazar do Tempo, vencedor do T.S. Eliot Prize, conta uma história de amor e separação em 29 tangos.
Carson soube do Nobel ao telefone, ouvindo o vento. Quem quiser saber o que ela escreve já tem sete livros em português, e o mais recente, Vidro, ironia e deus, saiu este ano pela Relicário.
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