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“O Acústico do Ira! atraiu um público que não era do rock”, diz Nasi

“O Acústico do Ira! atraiu um público que não era do rock”, diz Nasi

19 de junho de 2026
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Vocalista afirma que o projeto aproximou a banda de ouvintes de MPB e ampliou seu alcance para além do público tradicional do rock.

Crédito: Reprodução YouTube

O álbum Acústico MTV do Ira! segue como um dos trabalhos mais populares da banda e, segundo Nasi, seu impacto foi além das vendas e da repercussão na época do lançamento. Em entrevista à Mundo Livre FM, o músico afirmou que o projeto ajudou a atrair ouvintes que tradicionalmente não acompanhavam rock nacional.

Atualmente em turnê celebrando o repertório do disco, o cantor relembrou como as versões desplugadas ampliaram o alcance do Ira! e aproximaram a banda de um público que até então estava distante de guitarras pesadas, distorções e solos característicos do gênero.

O público que o Ira! não esperava conquistar

Ao comentar a recepção do projeto, Nasi destacou que o Acústico acabou alcançando perfis de ouvintes diferentes daqueles que tradicionalmente acompanhavam a banda.

“Acho que um público diferente que a gente pegou foi um público não roqueiro”, afirmou.

Segundo ele, parte desse sucesso veio da forma como as músicas passaram a ser percebidas quando apresentadas em arranjos mais enxutos.

“Pessoas que gostam de MPB”, resumiu o cantor ao descrever esse novo grupo de ouvintes.

Nasi também observou que muitos desses fãs não tinham uma ligação direta com a estética mais tradicional do rock.

“Pessoas que não são afeitas a distorções, solos de guitarra”, explicou.

Para o vocalista, o resultado foi uma ampliação natural da audiência do Ira!, que passou a circular entre públicos de diferentes preferências musicais.

“A gente pegou um público muito de crossover também”, disse.

Quando o rock encontrou a MPB

Na avaliação de Nasi, o formato acústico aproximou as canções do Ira! de elementos associados à música popular brasileira.

“Pessoas que no Acústico veem uma coisa mais próxima da música popular brasileira”, afirmou.

A observação ajuda a explicar por que algumas composições da banda encontraram uma nova leitura quando foram apresentadas sem o peso habitual das guitarras elétricas. Canções que já possuíam forte apelo melódico passaram a ser percebidas sob outra perspectiva por parte do público.

Durante a entrevista, Nasi lembrou que muitas músicas do Ira! nasceram originalmente no violão antes de chegarem aos arranjos completos de estúdio. Para ele, esse aspecto contribuiu para a adaptação ao formato desplugado e para a identificação de ouvintes que normalmente não consumiam rock.

O cantor também destacou que o repertório da banda sempre teve espaço para baladas e construções melódicas que dialogam com outras vertentes da música brasileira.

O fenômeno dos Acústicos MTV no Brasil e no exterior

Nasi acredita que o sucesso do Acústico MTV do Ira! faz parte de um fenômeno maior que marcou a música nas décadas de 1990 e 2000. Inspirado no formato criado pela MTV nos Estados Unidos, o projeto ganhou força ao revelar uma faceta diferente de artistas conhecidos por apresentações elétricas e sonoridades mais pesadas.

“Isso não foi só para o Ira”, afirmou.

No exterior, nomes como Eric Clapton, Nirvana e Pearl Jam mostraram que canções associadas ao rock podiam ganhar novas interpretações quando apresentadas de forma mais intimista. No Brasil, o movimento teve impacto semelhante com artistas e bandas de diferentes estilos, incluindo Capital Inicial, Titãs, Cássia Eller e Paralamas do Sucesso.

Na sequência, o músico citou exemplos de grupos que também ampliaram seu público com o formato.

“Capital” e “Titãs”, lembrou.

Parte do apelo dos acústicos estava justamente na sensação de proximidade criada pelo formato. Sem a parede de guitarras distorcidas, os arranjos destacavam melodias, letras e nuances vocais que muitas vezes passavam despercebidas nas versões elétricas. Para muitos ouvintes, era uma oportunidade de enxergar os músicos sob uma nova perspectiva, mais humana e acessível.

Os discos acústicos lançados por grupos surgidos nos anos 1980 ajudaram a apresentar seus repertórios a novos ouvintes e mantiveram essas canções em circulação para além das rádios e da programação musical da época. Ao mesmo tempo, mostraram que composições originalmente associadas ao peso do rock podiam funcionar com violões, percussões suaves e arranjos mais delicados.

No caso do Ira!, o reflexo ainda pode ser percebido nos shows atuais. Duas décadas depois do lançamento do álbum, o repertório do Acústico MTV continua ocupando posição central nas apresentações da banda e segue atraindo públicos com diferentes referências musicais.

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