Frio, bolhas nos pés, estoques esgotados e filas por souvenirs revelaram um lado pouco musical da primeira semana do festival: muita gente precisou improvisar para passar o dia na Cidade do Rock.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
O Rock in Rio 2026 terminou sua primeira semana deixando uma cena curiosa: enquanto os palcos recebiam Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Elton John e Gilberto Gil, parte do público estava atrás de coisas bem menos glamourosas. Jaquetas, remédios, curativos, tênis, bonés e brindes viraram alguns dos produtos mais disputados da Cidade do Rock.
O frio no Rio de Janeiro ajudou a transformar o comércio do festival. A farmácia oficial do evento, inédita na história do Rock in Rio, recebeu cerca de 5 mil pessoas nos quatro primeiros dias. O produto campeão foi a dipirona, seguida por adesivos para dor muscular, curativos para bolhas, remédio para o fígado e lenços de bolso.
O frio mudou o que o público comprou no Rock in Rio
Nas duas lojas da C&A instaladas exclusivamente para o festival, as jaquetas jeans assumiram a liderança. Mais de 200 unidades foram vendidas nos três primeiros dias, enquanto moletons, corta-ventos, camisetas e tênis também tiveram forte procura.
As lojas receberam aproximadamente 9 mil pessoas por dia. Segundo Mariana Prado, gerente sênior de Marketing da C&A, até os calçados deixados para reciclagem chamaram atenção.
A quantidade de tênis que as pessoas deixam e precisam trocar é impressionante, afirmou.
O boné teve desempenho ainda mais rápido: cerca de 400 unidades foram vendidas somente na sexta-feira, 4 de setembro, e o estoque terminou antes do fim da noite.
Na farmácia, o comportamento foi ainda mais inusitado. Segundo Rodrigo Ahmed, sócio-diretor da rede Venâncio, alguns frequentadores compraram até absorventes e preservativos para improvisar proteção contra as bolhas provocadas pelas longas caminhadas.
No Rock in Rio, o brinde virou atração
Mas o fenômeno não ficou restrito às necessidades práticas.
Segundo levantamento publicado pelo F5, da Folha de S.Paulo, filas consideráveis se formaram nos estandes de marcas em busca de copos, bolsas, cremes e até uma mini máquina fotográfica. Em determinados momentos, conseguir um souvenir parecia tão importante quanto circular pelos palcos.
O contraste apareceu também nos camarotes. As primeiras noites tiveram pouca presença de celebridades, enquanto um robô utilizado por uma empresa de vigilância acabou virando atração entre o público.
A circulação de famosos aumentou nos dias de Gilberto Gil e Elton John, mas a primeira semana deixou uma fotografia curiosa do festival em 2026: há quem vá pelo show, quem vá pelo famoso, quem vá pelo trabalho e, aparentemente, quem vá embora com uma jaqueta nova, uma dipirona e um copo de brinde.
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