Ritchie Blackmore toca guitarra ao lado do Deep Purple durante apresentação de Smoke on the Water em Nova York

Ritchie Blackmore volta ao Deep Purple após 33 anos e toca “Smoke on the Water”

13 de agosto de 2026

Aos 81 anos, guitarrista fundador do Deep Purple reencontrou Ian Gillan e antigos companheiros no palco de Nova York para tocar o maior clássico de sua carreira com a banda.

Crédito da Foto: Reprodução/YouTube

Por mais de três décadas, a imagem de Ritchie Blackmore tocando novamente ao lado do Deep Purple parecia pertencer ao campo das possibilidades improváveis. Na noite desta quarta-feira (12), porém, o guitarrista voltou ao palco com a banda que ajudou a fundar. A participação aconteceu no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, durante o bis, e terminou com uma apresentação de Smoke on the Water.

O reencontro durou apenas uma música, mas colocou Blackmore novamente diante de uma plateia do Deep Purple pela primeira vez desde sua saída em 1993. O momento ganhou peso adicional porque partiu do próprio guitarrista, que havia antecipado a participação em uma gravação publicada no Instagram um dia antes do show.

Ritchie Blackmore voltou ao Deep Purple para tocar o riff que ajudou a definir o rock

A escolha de Smoke on the Water transformou a participação em algo maior do que uma simples aparição. Lançada originalmente em Machine Head, de 1972, a música contém um dos riffs de guitarra mais reconhecíveis da história do rock, escrito por Blackmore.

No palco, o guitarrista dividiu espaço com a formação atual do Deep Purple, que conta com Ian Gillan, Ian Paice, Roger Glover e Simon McBride, entre outros músicos da fase contemporânea do grupo.

Depois da apresentação, Gillan explicou ao público que havia recebido uma mensagem de Blackmore poucos dias antes. O guitarrista teria perguntado se poderia aparecer para tocar com a banda, em uma participação rápida.

“Foi um absoluto prazer ter de volta ao palco um membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore”, disse Gillan à plateia após a música.

A frase ganha importância quando colocada no contexto da relação entre os dois músicos, marcada por décadas de afastamento e conflitos.

O reencontro aconteceu depois de uma longa história de conflitos

Blackmore deixou o Deep Purple pela primeira vez em 1975, retornou à banda na década seguinte e saiu novamente em 1993. Desde então, sua relação com os antigos companheiros permaneceu distante.

Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 2016, quando o Deep Purple foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame. Blackmore não participou da cerimônia. Na época, versões diferentes sobre a ausência do guitarrista foram apresentadas por ele e pelos integrantes da banda.

O afastamento também tornou improvável uma reunião da formação clássica nos anos seguintes. Enquanto o Deep Purple continuou sua trajetória com diferentes guitarristas, Blackmore passou a dedicar grande parte de sua carreira ao Blackmore’s Night, projeto formado com sua esposa Candice Night e voltado à música folk e renascentista.

Por isso, a participação em Nova York representa uma mudança significativa na relação pública entre Blackmore e o grupo. Ainda assim, não há indicação de que o episódio represente uma reunião permanente.

Blackmore precisou adaptar o retorno ao palco às próprias limitações físicas

A participação também aconteceu em um momento particularmente incomum na carreira do guitarrista. Aos 81 anos, Blackmore revelou recentemente que enfrenta problemas de saúde que limitaram sua capacidade de tocar guitarra elétrica e permanecer em pé durante longos períodos.

Em sua gravação publicada no Instagram antes do show, o músico mencionou problemas nas costas, quatro hérnias de disco, artrite, gota e episódios de vertigem. Ele também afirmou que não tocava rock regularmente havia cerca de 25 anos.

Blackmore contou ainda que havia colocado cordas novamente em sua Stratocaster depois de aproximadamente 25 anos. Nas últimas décadas, sua atividade musical esteve muito mais associada ao violão e ao trabalho com o Blackmore’s Night.

Para conseguir participar do show, o guitarrista disse que recebeu uma aplicação de esteroide na região lombar e que teria um banco disponível no palco caso precisasse se sentar.

A condição física ajuda a explicar por que a participação foi planejada para apenas uma música. O próprio Blackmore havia tratado o reencontro como uma experiência pontual, e não como o início de uma nova fase com o Deep Purple.

A guitarra de Blackmore encontrou Simon McBride no palco

Outro detalhe significativo da apresentação foi a presença de Simon McBride, atual guitarrista do Deep Purple. Diferentemente de outras reuniões de formações antigas, Blackmore não voltou para reassumir sua posição na banda.

McBride entrou no grupo em 2022, depois da saída de Steve Morse, e atualmente ocupa o posto que durante décadas esteve associado a Blackmore.

A situação cria uma espécie de passagem simbólica entre diferentes períodos da história do Deep Purple. Blackmore voltou para tocar uma única música, enquanto McBride permanece responsável pela guitarra na atual formação da banda.

McBride também participou de SPLAT!, álbum mais recente do Deep Purple, lançado em 2026. A banda está atualmente em turnê pela América do Norte, com shows ao lado do Kansas.

O que muda para o Deep Purple depois da participação de Blackmore?

Por enquanto, nada indica que Ritchie Blackmore esteja retornando oficialmente ao Deep Purple. A apresentação em Jones Beach foi anunciada como uma participação especial e ficou restrita a Smoke on the Water.

O significado do momento está justamente em sua excepcionalidade. Blackmore não precisou voltar à banda em caráter permanente para produzir uma das imagens mais importantes de sua relação com o grupo nas últimas décadas.

Ao lado de Ian Gillan, o guitarrista voltou a executar uma música que ajudou a transformar o Deep Purple em uma das bandas fundamentais do rock pesado. A diferença é que, desta vez, o palco não estava em 1972 ou 1973, mas em 2026, 33 anos depois da última apresentação de Blackmore com a banda.

A participação também encerra, ao menos no palco, um dos capítulos mais longos de afastamento da história do grupo. Blackmore procurou Gillan, recebeu autorização para tocar e apareceu no bis. Por alguns minutos, a formação histórica voltou a existir diante do público.

Não há confirmação de novos shows com Blackmore. Mas, depois de três décadas de distância, Smoke on the Water serviu como a primeira evidência concreta de que a porta entre o guitarrista e o Deep Purple não estava tão fechada quanto parecia.

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