Como uma nova geração de bandas impulsionou o rock brasileiro no pós-pandemia
20 de julho de 2026
Do underground aos grandes eventos, o gênero ganhou força nos últimos anos com retorno dos shows, novos públicos e expansão de diferentes vertentes.

O rock brasileiro voltou a crescer nos últimos anos, impulsionado pela retomada pós-pandemia, por uma nova geração de bandas e pelo interesse da Geração Z. O movimento começou a ganhar força durante a pandemia, quando estilos como emo e pop punk dos anos 2000 voltaram a circular nas redes sociais, e se consolidou com a retomada dos shows e o fortalecimento da cena independente.
A retomada não se limitou à nostalgia das bandas dos anos 1990 e 2000. Bandas independentes, festivais, casas de shows e novos canais de divulgação ajudaram a reorganizar a cena, fortalecendo vertentes como hardcore, metal, indie, punk e rock alternativo.
Rock no Brasil ganha força com retorno dos shows e festivais
A volta dos eventos presenciais após o isolamento foi um dos principais fatores para a recuperação da cena. A partir de 2022, casas de shows retomaram atividades, bandas voltaram às turnês e festivais independentes recuperaram espaço.
Um dos símbolos desse movimento foi o retorno do Hangar 110, em São Paulo, enquanto eventos como o ABC Pro HC voltaram a movimentar o circuito underground. Nos grandes festivais, o Rock in Rio 2022 reuniu nomes como Iron Maiden, Guns N’ Roses e Green Day, além de abrir espaço para artistas nacionais como Surra, Dead Fish, Ratos de Porão e Crypta.
O crescimento dos festivais ligados à memória afetiva também chamou atenção. Eventos como a I Wanna Be Tour e o Polifonia Emo Vive transformaram a nostalgia dos anos 2000 em grandes encontros, reunindo bandas consagradas e uma nova geração de fãs.
O crescimento do rock brasileiro vai além da nostalgia
Apesar da força do emo e do pop punk, a expansão do rock no Brasil envolve diferentes estilos e públicos. O metal ganhou destaque com eventos como o Summer Breeze Brasil, posteriormente reformulado como Bangers Open Air, enquanto bandas como NX Zero e Forfun mostraram que ainda existe grande demanda por grupos ligados ao rock nacional dos anos 2000.
Os dados de consumo reforçam esse cenário. Segundo a Luminate, o rock foi o gênero musical que mais cresceu globalmente em 2025, com aumento de 6,4% nas reproduções e 260,5 bilhões de streams. No Brasil, o Spotify apontou o gênero entre os três mais ouvidos pelos usuários em 2023, com milhões de playlists criadas relacionadas ao estilo.
Para Marcello Pompeu, vocalista do Korzus, a retomada dos eventos também está ligada às mudanças de comportamento após a pandemia. “Hoje os eventos acontecem mais cedo, o que estimula principalmente o público mais jovem. Outro fator importante são os valores humanos dentro de um mundo cada vez mais ditado pela internet. Durante a pandemia, muita gente viveu a solidão e passou a valorizar mais o encontro presencial”, afirmou.
Novos comunicadores ajudam a reorganizar a cena
Outro elemento importante para o crescimento do rock no Brasil foi o surgimento de novos agentes responsáveis pela divulgação de artistas e eventos. Páginas, canais e projetos independentes passaram a ocupar espaços antes concentrados em veículos tradicionais, ampliando a circulação de bandas e lançamentos.
Iniciativas como New Faces Rock, Musicult, Downstage, Rock For e The Rods Show ajudaram a aproximar artistas emergentes de públicos específicos, acompanhando festivais, novos lançamentos e movimentações do circuito independente.
Para Harry Delfino, criador da página Rock For, a cena atual mostra uma renovação de público e de artistas. “A cena está viva. Ela não chegou ao mainstream, mas quando bandas consolidadas passam a abrir espaço para grupos novos em seus shows, isso mostra que esse olhar já está começando a acontecer.”
A socióloga Valéria Brandini, autora de Cenários do Rock, aponta que esse processo segue uma dinâmica histórica do gênero: cenas independentes costumam se fortalecer em espaços menores antes de alcançarem maior visibilidade.
O cenário atual segue essa lógica. O rock brasileiro cresce a partir de circuitos locais, festivais especializados e comunidades digitais, criando uma rede que conecta artistas novos, bandas consolidadas e diferentes gerações de fãs.
A nova insurgência do rock paranaense pós-pandemia
O Paraná também ganhou destaque nessa renovação do rock brasileiro com uma geração de bandas que ampliou a presença da cena local após a pandemia. Nomes como Jovens Ateus, Terraplana, Jovem Dionísio, e NomeBom mostram a diversidade do estado, passando pelo shoegaze, indie, pop alternativo, dreampop e pós-punk.
A Terraplana conquistou projeção nacional com sua mistura de shoegaze e rock alternativo, enquanto a Jovem Dionísio levou a estética indie curitibana ao grande público com o sucesso de “Acorda, Pedrinho”. Na cena alternativa, a Jovens Ateus aposta em uma sonoridade marcada pelo pós-punk, com influências de shoegaze e dream pop, criando uma atmosfera mais densa e introspectiva. A NomeBom segue uma linha ligada ao rock independente e à música autoral, reforçando a variedade de artistas que encontram espaço em festivais, plataformas digitais e circuitos locais.
O movimento mostra como o Paraná continua funcionando como um polo criativo do rock nacional, com bandas de diferentes estilos encontrando novos públicos e ampliando o alcance da produção independente.
Essa renovação também passa pela descoberta de novos talentos. Na Mundo Livre FM, o programa Captura, apresentado por Renan Zamilian, é um convite para conhecer bandas autorais de Curitiba, do Paraná e de todo o Brasil. A cada edição, o programa apresenta artistas que movimentam a cena independente e ajuda a colocar novos nomes no radar do público.
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