Ritchie Blackmore revela motivo emocional para reencontro com Deep Purple: “Pode ser a última vez que nos vemos”
17 de agosto de 2026
Guitarrista de 81 anos conta que decidiu tocar com o Deep Purple depois de pensar que poderia não ter outra oportunidade de encontrar os antigos companheiros; Blackmore também afirma que queria mostrar aos fãs que as antigas mágoas ficaram para trás.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
Ritchie Blackmore decidiu reencontrar o Deep Purple depois de pensar que aquela poderia ser a última oportunidade de ver os antigos companheiros. Em entrevista à Guitar Player, o guitarrista de 81 anos revelou que acordou na véspera do show com a ideia de participar de apenas uma música, Smoke on the Water, para mostrar aos fãs que ele e a banda já não estavam em conflito.
A decisão ganhou um peso ainda maior quando Blackmore percebeu a passagem do tempo. “Eu estava lá para ver velhos amigos que não via havia 40 anos e estamos todos ficando mais velhos. Acho que percebemos que poderia ser a última vez que nos veríamos”, afirmou. Para ele, o reencontro em Nova York foi menos sobre executar a música perfeitamente e mais sobre encerrar uma longa distância pessoal.
“Pode ser a última vez que nos vemos”, diz Blackmore
A participação não nasceu de um convite planejado com antecedência. Segundo Blackmore, a ideia surgiu quando ele pensou no show do Deep Purple na noite anterior. O guitarrista imaginou que poderia subir ao palco para tocar apenas Smoke on the Water e mostrar ao público que a antiga hostilidade havia ficado para trás.
A decisão dependia também da aprovação de Ian Gillan. Blackmore contou que sua esposa, Candice Night, entrou em contato com o vocalista, que recebeu a proposta positivamente e a levou aos demais integrantes da banda. O guitarrista então recebeu sinal verde para participar do bis.
A percepção de que todos estão envelhecendo transformou a participação em algo mais pessoal. Blackmore afirmou que não via alguns daqueles amigos havia cerca de quatro décadas e considerou a possibilidade de aquela ser a última vez em que conseguiriam dividir um palco.
A música ficou em segundo plano no reencontro de Blackmore
Blackmore também fez questão de relativizar qualquer avaliação técnica de sua performance. Ele contou que entrou no palco rapidamente e não teve tempo para fazer o aquecimento habitual antes de tocar.
O resultado teve imperfeições. Em determinado momento, o guitarrista chegou a perder sua posição durante a música. Ainda assim, considerou esse detalhe irrelevante diante do motivo pelo qual decidiu participar.
Blackmore disse que preferiu não tocar nada excessivamente técnico e se concentrar em uma abordagem simples. A preocupação era menos demonstrar sua capacidade como guitarrista e mais aproveitar a oportunidade de estar novamente diante dos antigos companheiros.
A escolha de Smoke on the Water também deu ao encontro uma dimensão simbólica. O riff criado por Blackmore está entre os elementos mais reconhecíveis do repertório do Deep Purple, tornando a canção um ponto de contato entre a formação histórica da banda e sua atual configuração.
Blackmore diz que voltou para “curar feridas”, mas elas já não existiam
A própria apresentação reforçou o caráter de reconciliação. Blackmore resumiu sua motivação com uma frase que ajuda a explicar por que o reencontro teve tanto peso para ele: “Eu estava lá para curar feridas, mas não havia feridas.”
O guitarrista comparou o momento ao reencontro de soldados depois de uma longa guerra. Para Blackmore, antigos companheiros que passaram décadas separados estavam novamente reunidos, conscientes de que o tempo havia passado. Ele classificou a experiência como um “momento muito emocional”.
A declaração também sugere uma mudança na maneira como Blackmore enxerga os conflitos que marcaram sua relação com o Deep Purple. O guitarrista não descreveu a apresentação como uma tentativa de reconstruir a banda, mas como uma oportunidade de deixar o passado em uma posição diferente.
A antiga rivalidade com Ian Gillan ficou para trás
Blackmore atribuiu parte dos conflitos históricos com Ian Gillan à personalidade dos dois. “Somos dois caras alfa”, explicou, lembrando que ambos estavam acostumados a comandar seus próprios espaços e acabavam entrando em choque.
“Entrávamos em conflito antigamente. Mas tudo isso mudou”, acrescentou o guitarrista. A declaração reforça a percepção de que a participação em Nova York representou uma mudança na relação pública entre os dois músicos.
A reconciliação ganha peso justamente porque Blackmore e Gillan passaram décadas associados a uma das relações mais tensas da história do Deep Purple. Agora, o guitarrista afirma que essa dinâmica pertence ao passado.
O reencontro também marcou a primeira vez em 44 anos que Blackmore tocou ao lado do tecladista Don Airey, que havia deixado o Rainbow em 1982.
O reencontro pode ter sido único
Não há indicação de que a participação resulte em um retorno permanente de Blackmore ao Deep Purple. A própria motivação apresentada pelo guitarrista aponta para uma experiência pontual, construída em torno da vontade de rever antigos amigos e mostrar aos fãs que a antiga hostilidade havia ficado para trás.
Blackmore também revelou que utilizou durante a apresentação uma Stratocaster que havia tocado nos anos 1980. O instrumento recebeu cordas novas, e o músico precisou retomar uma técnica diferente daquela que utiliza atualmente, já que passou boa parte das últimas décadas tocando violão.
O mais significativo, porém, foi o que aconteceu entre uma nota e outra. Depois de 33 anos sem dividir um palco com o Deep Purple, Blackmore voltou justamente quando acreditava que talvez não tivesse outra oportunidade de encontrar aqueles músicos novamente.
Por isso, a apresentação de Smoke on the Water ganhou um significado que vai além da nostalgia. O guitarrista não voltou para recuperar um posto na banda. Voltou porque percebeu que o tempo havia mudado a relação com os antigos companheiros e que talvez fosse melhor reencontrá-los enquanto ainda houvesse essa possibilidade.