Frank Beard morre aos 77 anos e ZZ Top confirma que seguirá em atividade
18 de agosto de 2026
Baterista esteve na formação clássica do ZZ Top por 56 anos; banda mantém show em Curitiba marcado para novembro, poucos meses após a morte do músico.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
O ZZ Top perdeu Frank Beard, baterista que ajudou a definir o som da banda por mais de cinco décadas. O músico morreu aos 77 anos na segunda-feira (17), em seu rancho em Richmond, no Texas, enquanto recebia cuidados paliativos e estava acompanhado pela família. A causa da morte não foi divulgada.
A morte encerra a trajetória do integrante que permaneceu por mais tempo ao lado de Billy Gibbons e Dusty Hill na formação clássica do trio. Beard participou da construção da identidade rítmica que levou o ZZ Top do circuito de blues do Texas às grandes arenas e à MTV, tornando-se parte inseparável de músicas como La Grange, Tush, Gimme All Your Lovin’, Sharp Dressed Man e Legs.
Frank Beard deixa uma marca que ia além da bateria
A importância de Frank Beard para o ZZ Top estava menos em exibições individuais e mais na maneira como sua bateria sustentava o conjunto. Seu toque preciso e econômico ajudou a estabelecer o groove característico da banda, combinando blues, boogie e rock com uma abordagem fortemente marcada pelo Texas shuffle.
Billy Gibbons destacou justamente esse aspecto ao homenagear o companheiro. O guitarrista descreveu Beard como um músico naturalmente inovador e ressaltou a importância de seu backbeat para a identidade sonora do ZZ Top. Gibbons também afirmou que a banda pretende continuar tocando, respeitando uma vontade manifestada pelo próprio baterista.
A decisão ganha um peso particular porque Beard era o último integrante da formação clássica que permaneceu ao lado de Gibbons desde o início da fase mais conhecida do grupo. A morte de Dusty Hill, em 2021, já havia encerrado a formação histórica do trio. Elwood Francis assumiu o baixo e o ZZ Top continuou na estrada.
O ZZ Top atravessou cinco décadas com a mesma base rítmica
A parceria entre Beard, Gibbons e Hill começou no início dos anos 1970 e permaneceu praticamente intacta durante mais de cinco décadas. O grupo construiu sua reputação inicialmente com o blues-rock do Texas antes de alcançar um público muito maior nos anos 1980.
O álbum Eliminator, lançado em 1983, foi decisivo nessa transformação. A combinação entre guitarras, elementos eletrônicos, videoclipes marcantes e canções como Gimme All Your Lovin’, Sharp Dressed Man e Legs levou o ZZ Top para uma nova geração e ampliou significativamente sua presença internacional.
A longevidade da formação também se tornou parte da própria identidade do grupo. Em 2004, o ZZ Top foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame, reconhecimento que consolidou a importância histórica da banda dentro do rock norte-americano.
Beard chegou a se afastar das apresentações em diferentes momentos por problemas de saúde. Em 2025, ele deixou parte da agenda de shows e foi substituído temporariamente por Michael Monahan. Nas semanas anteriores à sua morte, voltou a se afastar da turnê The Big One!. Após a notícia, o ZZ Top cancelou apresentações imediatas, mas confirmou a intenção de retomar os shows.
Show do ZZ Top em Curitiba continua marcado para novembro
A morte de Frank Beard acontece poucos meses antes da passagem do ZZ Top pelo Brasil. A banda tem apresentação marcada para 20 de novembro de 2026, no Igloo Super Hall, em Curitiba, dentro da turnê The Big One!. A data continua publicada tanto no calendário oficial do grupo quanto na plataforma de ingressos.
O show está previsto para começar às 21h, com abertura da casa às 19h. A apresentação faz parte da primeira passagem do ZZ Top pelo Brasil em mais de 16 anos, com shows também em Porto Alegre, em 18 de novembro, e São Paulo, em 21 de novembro.
Até o momento, não há indicação de cancelamento da apresentação de Curitiba. A banda afirmou que pretende continuar em atividade após a morte de Beard, e sua agenda internacional segue publicada no site oficial do grupo.
A próxima fase do ZZ Top, portanto, será marcada pela ausência do baterista que sustentou sua formação clássica durante 56 anos. Para uma banda cuja identidade sempre esteve associada à permanência de seus integrantes, a decisão de seguir adiante representa uma mudança significativa, especialmente depois da saída definitiva de Dusty Hill em 2021.