De Abbey Road e Pink Floyd à Copa do Mundo: Entenda a história de “Sirius”, música tema das entradas dos jogadores
16 de junho de 2026
Faixa lançada pelo The Alan Parsons Project em 1982 atravessou o rock progressivo, a NBA e agora chegou à entrada das seleções na Copa do Mundo de 2026.

A Copa do Mundo de 2026 incorporou uma sonoridade já familiar para fãs de esporte e do rock progressivo. Antes do início das partidas, enquanto as seleções entram em campo, a Fifa utiliza Sirius, instrumental do The Alan Parsons Project lançado em 1982.
A escolha rapidamente chamou atenção do público, sobretudo nos Estados Unidos, onde a faixa já faz parte do imaginário esportivo há décadas. A música, no entanto, tem uma trajetória anterior ao futebol e ao basquete. Nascida no universo do rock progressivo britânico, acabou se transformando ao longo do tempo em um dos temas mais reconhecíveis dos estádios ao redor do mundo.
De Abbey Road e Pink Floyd ao Chicago Bulls
Antes de qualquer associação com arenas esportivas, Sirius surgiu dentro do álbum Eye in the Sky, de 1982. A faixa foi criada por Alan Parsons e Eric Woolfson como uma introdução instrumental curta, concebida para abrir a canção principal do disco.
Parsons já carregava uma trajetória consolidada na música. Trabalhou como engenheiro de som em Abbey Road, dos The Beatles, e integrou a equipe técnica de The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. Essa formação dentro de estúdios de alta complexidade ajudou a moldar a estética sonora do projeto, marcada por camadas instrumentais e construção gradual de tensão.
Sirius nasceu exatamente da lógica de ser uma faixa breve, sem vocais, construída para funcionar como uma abertura atmosférica. O que parecia uma faixa de transição acabou ganhando autonomia própria ao longo dos anos.
Da estética sonora à linguagem dos estádios
A virada de contexto aconteceu na década de 1980, quando o locutor Tommy Edwards buscava uma forma mais dramática de apresentar os jogadores do Chicago Bulls. Ao ouvir Sirius, percebeu que a progressão lenta da faixa criava exatamente o tipo de expectativa necessário para a entrada dos titulares.
A estrutura da música, que começa contida e cresce até um pico de intensidade, se adaptou ao ambiente das arenas. Luzes apagadas, nomes sendo anunciados e a trilha em ascensão transformaram a apresentação do Bulls em um ritual.
A associação se consolidou ao longo dos anos 1990, durante a era de Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman. Com o time dominando a NBA e alcançando seis títulos, Sirius passou a ser parte da identidade sonora da franquia, um elemento fixo na construção da atmosfera pré-jogo.
De identidade da NBA à Copa do Mundo de 2026
Com o tempo, a música ultrapassou o basquete e passou a ser utilizada em diferentes eventos esportivos, sempre ligada a momentos de entrada e expectativa. Essa transição ajudou a explicar sua escolha para a Copa do Mundo de 2026.
A Fifa incorporou Sirius no momento que antecede os hinos nacionais, antes do início das partidas. Em um torneio realizado na América do Norte, a decisão também dialoga com a forte presença da cultura esportiva dos Estados Unidos na organização do evento.
O resultado é que uma composição criada como introdução de álbum, pensada para durar menos de dois minutos, acabou atravessando formatos e décadas até se tornar uma das trilhas mais reconhecíveis do esporte global.
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